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Impacto da Cirrose em Politrauma

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 20/02/2014

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Contexto Clínico

         Os efeitos adversos da cirrose hepática sobre os resultados dos pacientes pós- politrauma já foram descritos em estudos retrospectivos. Entretanto, no presente estudo, a proposta foi avaliar prospectivamente os desfechos intra-hospitalares neste subgrupo de pacientes vítimas de trauma.

 

O Estudo

         Este foi um estudo observacional prospectivo do tipo caso-controle, de todos os pacientes internados na unidade de terapia intensiva cirúrgica de um centro de trauma nível I, de janeiro de 2008 a dezembro de 2011. Casos de trauma cirróticos foram pareados com controles não cirróticos em uma proporção de 1:2. Critérios correspondentes incluíram idade, sexo, mecanismo de lesão, os sinais vitais na admissão, Abbreviated Injury Scale (AIS,) aplicada para todas as regiões do corpo, e Injury Severity Score (ISS). Os resultados incluíram morbidade e mortalidade intra-hospitalar.

         Durante o período de estudo de 4 anos, 92 (0,8%) das 12.102 admissões por trauma tinha cirrose hepática. Depois de correspondência, nenhuma diferença com relação às características demográficas e clínicas de lesão foram observados comparando os casos e o controle. A taxa de complicação global nos casos e controles foi de 31,5 % e 7,1% respectivamente (P< 0,001).

        A mortalidade intra- hospitalar foi significativamente maior para os pacientes cirróticos em comparação com os seus homólogos não cirróticos (20,7 vs 6,5%; P = 0,001) . Dentro do grupo cirrótico, a mortalidade aumentou significativamente de 8,0% nos pacientes com Child-Pugh Classe A para 32,3% na classe B e 45,5% na classe C (p = 0,003). Da mesma forma , a mortalidade foi significativamente maior para os pacientes com um MELD com pontuação de 10 ou mais contra menos de 10 (30,0 % vs 9,5% ; OR: 4,07 , IC 95%: 1,23-13,45; P = 0,016) .

 

Aplicações para a Prática Clínica

         Este estudo do tipo caso-controle confirma estudos retrospectivos anteriores mostrando que a cirrose é um importante fator de risco para a morbidade e mortalidade em pacientes com trauma.  Bastante interessante notar o gradiente em que o aumento gradual na classificação de Child-Pugh, bem como no MELD preveem resultados adversos ajustados. Pacientes de trauma com antecedente de cirrose devem ter monitoramento agressivo, bem como tratamento. Estratégias diferenciadas devem ser pensadas para este tipo de pacientes em centros de trauma.

 

Bibliografia

1.                  Talving P et al. The impact of liver cirrhosis on outcomes in trauma patients: A prospective study. J Trauma Acute Care Surg 2013 Oct; 75:699. (link para o artigo).

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