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Diretriz – Manejo da Insuficiência Cardíaca

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 11/04/2014

Comentários de assinantes: 1

Especialidades: Medicina de Família / Cardiologia

 

Contexto Clínico

         O insuficiência cardíaca é uma doença que vem crescendo junto com o envelhecimento da população. As estimativas dos estudos demonstram que há cerca de 23 milhões de pessoas acometidas no mundo. É extremamente importante que os médicos saibam diagnosticar e conduzir estes pacientes.

         Apresentamos as diretrizes atualizadas e revisadas sobre Insuficiência Cardíaca, desenvolvidas e publicadas em 2013 pelas seguintes sociedades de especialistas: American College of Cardiology (ACC) Foundation, American Heart Association (AHA), American College of Chest Physicians, Heart Rhythm Society, International Society for Heart and Lung Transplantation.

 

Recomendações

         Recomendações Classe I para a avaliação inicial:

o        Realizar história e exame físico;

o        Buscar dados de história familiar em portadores de miocardiopatia dilatada;

o        Avaliar peso;

o        Primeiros exames a pedir: hemograma, urina tipo 1, eletrólitos, lipídeos, perfil hepático e TSH;

o        Realizar eletrocardiograma;

o        Realizar radiografia de tórax;

o        Realizar ecocardiograma bidimensional com avaliação da função sistólica;

 

         Recomendações classe I para utilização do peptídeo natriurético tipo-B (BNP) ou pro-BNP N-terminal:

o        Para avaliar a possibilidade de insuficiência cardíaca em pacientes ambulatoriais com queixa de dispneia ou em pacientes com possível descompensação      aguda de insuficiência cardíaca, quando o diagnóstico clínico for incerto;

o         Para estabelecer prognóstico e gravidade da doença;

 

         Pacientes com disfunção sistólica de ventrículo esquerdo assintomática devem receber um inibidor de enzima de conversão de angiotensina (iECA) e um beta-bloqueador  para prevenir sintomas (classe I);

 

         Na ausência de contraindicações, pacientes com disfunção sistólica de ventrículo esquerdo devem receber iECA, beta-bloqueador e:

o        Diurético de alça para controle de sobrecarga hídrica;

o       Antagonista de aldosterona em pacientes com sintomas de qualquer gravidade ou após infarto agudo do miocárdio, desde que o clearance de creatinina seja > 30mL/min/ 1,73m², e que o potássio sérico seja < 5mEq/L (classe I);

o       Combinação de nitrato e hidralazina para pacientes negros com sintomas graves mesmo já usando outras terapias (classe I);

 

        Apenas beta-bloqueadores que comprovadamente melhoram os desfechos de pacientes com disfunção sistólica de ventrículo esquerdo devem ser utilizados: metoprolol, carvedilol e bisoprolol;

        Na ausência de contraindicações, pacientes com insuficiência cardíaca e fibrilação atrial (FA), que tenham um fator de risco adicional para AVC devem receber anticoagulação sistêmica com varfarina ou com outros agentes aprovados (classe I). O valor da anticoagulação em outras circunstâncias é menos clara;

        Os agentes que não são benéficos ou prejudiciais para disfunção sistólica de ventrículo esquerdo incluem as estatinas (exceto se houver outra indicação de uso), suplementos nutricionais, terapias hormonais, bloqueadores dos canais de cálcio, medicamentos anti-inflamatórios não esteroides, glitazonas e drogas inotrópicas infundidas a longo prazo (todos de classe III);

        Faltam abordagens baseadas em evidências para pacientes com insuficiência cardíaca com função sistólica preservada; recomendações para este grupo são genéricas e devem se voltar para controle de fatores de risco (por exemplo, hipertensão);

        As recomendações para terapia com cardio-desfibrilador implantável (em muitos pacientes com fração de ejeção do ventrículo esquerdo < 35 %) e terapia de ressincronização cardíaca (CRT; naqueles com disfunção sistólica de ventrículo esquerdo e prolongamento do complexo QRS) são consistentes com as diretrizes de terapia baseados em dispositivos atualmente utilizadas e incluem a expansão das indicações de CRT para os pacientes com sintomas de classe II da New York Heart Association (classe I);

        Transplante deve ser considerado em pacientes com insuficiência cardíaca estágio D refratária a otimização da terapia, dispositivos e terapias cirúrgicas  (classe I);

        Cuidados de transição na alta hospitalar, cuidados paliativos, coordenação dos cuidados (classe I) e participação em iniciativas de melhoria da qualidade (Classe IIa) são incentivadas.

 

Bibliografia

1.             Yancy CW et al. 2013 ACCF/AHA guideline for the management of heart failure. J Am Coll Cardiol 2013 Oct 15; 62:e147 (link para a diretriz).

Comentários

Por: jorge luiz nunes de barros em 04/04/2014 às 20:22:46

"Para clinicos e especialistas este comentario é muito importante para cuidados a atendimentos da abordagem inicial do paciente principalmente quando o numero de paciente a ser atendidos é alem do limite geralmente estipulados pelos gestores que visam produção."

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