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Diretriz – Rastreamento de Câncer de Pulmão

Última revisão: 30/05/2014

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Especialidades: Pneumologia/Oncologia/Medicina de Família

 

Contexto Clínico

 

         O câncer de pulmão é o terceiro câncer mais comum nas estatísticas mundiais e está entre as principais causas de morte em diversos países, incluindo o Brasil. O fator de risco mais importante para o câncer de pulmão é o tabagismo, o que resulta em aproximadamente 85% dos casos de câncer de pulmão. Embora a prevalência do tabagismo venha diminuindo,  a população de fumantes ou ex-fumantes é ainda bastante alta. A incidência de câncer de pulmão aumenta com a idade, e ocorre mais comumente em pessoas com 55 anos ou mais. O aumento da idade e exposição cumulativa ao fumo do tabaco são os dois fatores de risco mais comuns para o câncer de pulmão.

         O câncer de pulmão tem um prognóstico ruim, e quase 90% das pessoas com câncer de pulmão morrem da doença. No entanto, câncer não-pequenas células em fase inicial tem um prognóstico melhor e eventualmente pode ser ressecado cirurgicamente.

A melhor alternativa como prevenção do câncer de pulmão continua sendo a cessação do tabagismo. Entretanto, existem grandes questionamentos sobre o rastreamento de câncer de pulmão, uma vez que exames mais simples e baratos têm baixa sensibilidade para detecção da doença nos seus estágios iniciais. Sendo assim, a melhor alternativa seria o uso de tomografia computadorizada (TC) com baixa dose de radiação.

         Os danos associados com o rastreamento usando TC incluem falsos-negativos e falsos-positivos, achados incidentais, “excesso de diagnósticos” e exposição à radiação. Os resultados falso-positivos de TC ocorrem em uma proporção substancial de pessoas examinadas, e 95% de todos os resultados positivos não levarão a um diagnóstico de câncer.

         A U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) encontrou evidências suficientes sobre os danos associados a achados incidentais. “Excessos de diagnósticos” de câncer de pulmão ocorrem, mas sua magnitude exata é incerta. Um estudo realizado para o USPSTF estima que 10% a 12% dos casos de câncer detectados em rastreamento são diagnósticos excessivos, ou seja, eles não teriam sido detectadas em toda a vida do paciente, sem rastreamento. Danos associados à radiação incluindo tumores resultantes da exposição à radiação cumulativa, podem variar dependendo da idade do início do rastreamento, o número de exames realizados, e a exposição do indivíduo a outras fontes de radiação, em particular por realização de outros exames de imagem pedidos por médicos.

         A USPSTF encontrou evidências suficientes de que o rastreamento anual para câncer de pulmão com TC em uma população definida de pessoas de alto risco pode evitar um número significativo de mortes relacionadas ao câncer de pulmão. Estas evidências vêm de um grande estudo randomizado (3) sobre o assunto. A magnitude do benefício depende de risco dessa pessoa para câncer de pulmão, porque aqueles que estão em maior risco têm maior probabilidade de se beneficiar. Ainda assim, o rastreamento não pode impedir a maioria das mortes relacionadas ao câncer de pulmão, e a cessação do tabagismo continua a ser essencial.

 

Recomendações

 

- População: Esta recomendação aplica-se aos adultos assintomáticos com idades entre 55 e 80 anos que têm uma história de tabagismo de 30 maços-ano e atualmente fumam ou pararam nos últimos 15 anos.

 

- Recomendação: A USPSTF recomenda o rastreamento anual de câncer de pulmão com tomografia computadorizada com baixa dose de radiação em adultos com idades entre 55 e 80 anos que têm uma história de tabagismo de 30 maços-ano e atualmente fumam ou pararam nos últimos 15 anos. O rastreamento deve ser interrompido quando uma pessoa tenha ficado sem fumar por mais de 15 anos ou que tenha desenvolvido um problema de saúde que limita substancialmente a expectativa de vida ou a capacidade ou disposição para uma cirurgia curativa no pulmão (Recomendação B)

 

 

Bibliografia

Moyer VA et al. Screening for lung cancer: U.S. Preventive Services Task Force Recommendation Statement. Ann Intern Med 2013 Dec 31; [e-pub ahead of print] (link para o artigo).

Detterbeck FC and Unger M. Screening for lung cancer: Moving into a new era. Ann Intern Med 2013 Dec 31; [e-pub ahead of print] (link para o artigo).

Aberle DR, Adams AM, Berg CD, Black WC, Clapp JD, Fagerstrom RM, et al, National Lung Screening Trial Research Team. Reduced lung-cancer mortality with low-dose computed tomographic screening. N Engl J Med. 2011; 365:395-409 (link para o artigo).

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