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Evidências Contra o Uso de Glucosamina para Osteoartrite de Joelho

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 25/06/2014

Comentários de assinantes: 4

Especialidades: Reumatologia / Ortopedia / Medicina de Família

 

Contexto Clínico

         O tratamento da osteoartrite é bastante limitado do ponto de vista de opções medicamentosas. A glucosamina é um item bastante comum na prescrição de diversos pacientes com esta condição, principalmente aqueles com acometimento de joelho.

         Uma metanálise de estudos randomizados não mostrou nenhum benefício clínico de glucosamina em pacientes com osteoartrite do joelho ou do quadril. No entanto, muitos pacientes tomam a glucosamina, e alguns médicos incentivam o seu uso, pois  pequenos estudos sugeriram benefício potencial, sem efeitos adversos aparentes. Apresentamos um estudo que avaliou a eficácia da glucosamina oral na evolução de lesões estruturais de joelho causadas por osteoartrite.

 

O Estudo

         Este é um estudo randomizado, duplo-cego, placebo controlado realizado no estado da Pensilvânia nos EUA. No total, 201 pacientes com dor de leve a moderada em um ou ambos os joelhos, cuja causa é osteoartrite, foram randomizados  para 24 semanas de tratamento com 1500mg/dia de glucosamina ou placebo. O desfecho avaliado foi diminuição da progressão do dano de cartilagem visto por ressonância magnética dos joelhos. Como resultado mais importante, o Odds Ratio (OR) para a chance de diminuir o dano da cartilagem em 24 semanas nos joelhos foi de 0,938 (IC95% 0,528 – 1,666) para a glucosamina comparada ao placebo. Um desfecho secundário avaliado mostrou também que a glucosamina não foi melhor que placebo para controlar sintomas.

 

Aplicações Práticas

         Este é mais um estudo para concluirmos de vez que não há benefícios na prescrição de glucosamina para pacientes com osteoartrite de joelhos. Não há benefício do ponto de vista de progressão de lesão, nem em controle de sintomas. Levando em conta o custo para uso diário e contínuo, que não é baixo, recomendamos que esta medicação não seja mais indicada para os pacientes que habitualmente receberiam indicação de seu uso.

 

Bibliografia

Kwoh CK et al. Effect of oral glucosamine on joint structure in individuals with chronic knee pain: A randomized, placebo-controlled clinical trial. Arthritis Rheumatol 2014 Apr; 66:93. (link para o artigo).

Comentários

Por: Atendimento MedicinaNET em 01/07/2014 às 11:39:32

"Olá, Wesley, obrigado por seu contato. Segundo uma meta-análise publicada em 2010 (link: http://www.bmj.com/content/341/bmj.c4675), nem glucosamina, nem condroítina de forma isolada são melhores que placebo tanto para melhora da dor quanto para melhora radiológica dos pacientes usuários. Sendo assim, acreditamos que os pacientes que usam estas medicações têm apenas alívio sintomático por efeito placebo. Estudos prévios que mostraram benefícios são praticamente todos patrocinados por indústria farmacêutica. Sendo assim, acreditamos que nem a glucosamina nem a condroitína tem papel real no tratamento dos pacientes com osteoartrite. Esperamos ter ajudado. Atenciosamente Os Editores"

Por: wesley figueiredo rabelo em 29/06/2014 às 08:00:59

"Bom dia editores! Conforme, a recomendação acima, passo a não prescrever mais a glucosamina para uso em osteoartrose. no entanto, fica a dúvida: poder-se-ia manter o uso isolado da condroitina, da conhecida composição do artrolive?"

Por: Atendimento MedicinaNET em 25/06/2014 às 08:51:41

"Olá, Felix, obrigado por seu contato. De fato, esta é uma situação bastante delicada. Acreditamos que o ponto mais importante a ser ressaltado tendo por base o artigo, é não introduzir a droga a novos casos. Para os já usuários, fica como sugestão uma abordagem individualizada em que o médico leve em conta o benefício que o paciente tem pelo efeito placebo, a capacidade de arcar custos da medicação, a relação de confiança com o médico para que a suspensão da droga não gere quebra de confiança, etc. Eventualmente, pode-se manter a droga se tiver ocorrido benefício sintomático, uma vez que os riscos com o uso da droga são mínimos. Por hora, o que há disponível como tratamento de formas não refratárias de osteoartrite são as medidas físicas, reabilitação, o uso de paracetamol, AINH's orais ou tópicos, capsaicina tópica e corticoides intrarticulares. Atenciosamente, os Editores."

Por: felix moesch em 23/06/2014 às 14:33:48

"e o que faremos com aqueles pacientes que ja tomam o glucosamina e inclusive relatam melhorias(efeito placebo?) apesar de comprovado a ausência de benefícios ?......qual outra opcão de tratamento ?"

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