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Mortalidade em pacientes cirúrgicos impacto da quantidade de enfermeiros

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 25/08/2014

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Especialidades: Medicina Hospitalar/Cirurgia Geral/Ortopedia/Cirurgia Vascular/Segurança do Paciente

 

Contexto Clínico

        A contenção de gastos na área da saúde tem sido uma constante tanto no meio público quanto privado, não só no Brasil como em todo o mundo. Isso vem acontecendo a despeito das frequentes discussões sobre segurança do paciente e qualidade assistencial. Os hospitais têm sido os principais alvos, uma vez que são grandes geradores de custos. Reformas em alguns sistemas de saúde têm tido tendência a redirecionar recursos para tratamentos domiciliares e ambulatoriais, buscando encurtar o tempo de internação e reduzindo leitos, o que vem resultando em aumento da carga de cuidados com pacientes que precisam ficar hospitalizados. O contexto atual também coloca a enfermagem como um alvo fácil para contenção de gastos, uma vez que é possível poupar dinheiro rapidamente através da redução desses profissionais nos hospitais. A possível combinação de menos pessoal treinado em hospitais, associada a mais intervenções e criticidade dos pacientes que permanecem internados, levanta preocupações sobre a possibilidade de a qualidade do atendimento piorar.

 

O Estudo

        Este é um estudo observacional retrospectivo que avaliou 422.730 pacientes com 50 anos ou mais de idade que foram submetidos a cirurgias comuns (procedimentos de cirurgia geral, ortopedia e vascular, com hospitalização de = 2 dias) em 300 hospitais de nove países europeus. Os dados administrativos foram codificados com um protocolo padrão para estimar a mortalidade com ajuste de risco por idade, sexo, tipo de admissão, tipo de cirurgia e comorbidades presentes na admissão. Pesquisa feita com 26.516 enfermeiros dos hospitais do estudo foram usados para medir a quantidade de profissionais e seu nível de formação.

        Cada paciente extra na carga de trabalho de um profissional de enfermagem gerou um aumentou na probabilidade de um paciente internado morrer dentro de 30 dias após a internação em 7%. A cada aumento de 10% de presença de enfermeiros com bacharelado isso se associou com uma diminuição na probabilidade de morte em 7%.

        Estas associações sugerem que pacientes em hospitais em que 60% dos enfermeiros tinham graus de bacharel, e que cuidaram de uma média de seis pacientes, teriam mortalidade quase 30% menor do que os pacientes nos hospitais em que apenas 30% dos enfermeiros tinham graus de bacharel e cuidaram de uma média de oito pacientes.

 

Aplicações Práticas

        Em tempos de cortes de gastos na área da saúde, cada vez mais dados apontam que diminuir a quantidade ou qualificação dos profissionais para conter gastos mostra-se cada vez mais impactante na qualidade da assistência, oferecendo riscos reais aos pacientes, com aumento de mortalidade. Neste grande estudo observacional, fica claro que isso está além das fronteiras de qualquer país, e aplica-se sem dúvida nenhuma ao nosso próprio contexto aqui no Brasil.

        Se quisermos melhorar a qualidade da assistência em nossos hospitais, devemos tomar o caminho inverso, investindo em recursos humanos, que cada vez mais se demonstram fundamentais para uma assistência mais segura, acima de qualquer tecnologia. Até quando administradores de hospitais continuarão cometendo este terrível erro?

 

Bibliografia

Aiken LH et al. Nurse staffing and education and hospital mortality in nine European countries: A retrospective observational study. Lancet 2014 May 24; 383:1824. (link para o artigo).

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