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Eventos adversos por tiazídicos em idosos

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 30/10/2014

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Especialidades: Geriatria/Medicina de Família/Segurança do Paciente

 

Contexto Clínico

        Muitas vezes, por estarmos habituados a prescrever uma droga com assiduidade, esquecemos os possíveis riscos oferecidos por estas drogas. Sendo hipertensão arterial sistêmica uma condição muito prevalente, medicações como diuréticos tiazídicos são usados com grande frequência. Entretanto, não são drogas inócuas, principalmente para pacientes idosos. Foi desenvolvido um estudo observacional para avaliar os riscos de eventos adversos por diuréticos tiazídicos e seus preditores em idosos com múltiplas comorbidades.

 

O Estudo

        Este é um estudo observacional do tipo coorte. Veteranos com 65 anos ou mais para os quais foi iniciada a prescrição de um tiazídico (N = 1.060) foram comparados com os não-usuários de qualquer medicamento anti-hipertensivo (N = 1.060). O desfecho primário avaliado foi um composto de eventos adversos metabólicos definidos como de hiponatremia (sódio inferior a 135 mEq/L), hipocalemia (potássio inferior a 3,5 mEq/L), ou uma diminuição na taxa de filtração glomerular (EGFR) de mais de 25% em relação ao controle basal. Os desfechos secundários incluíram eventos adversos mais graves segundo os autores (sódio <130 mEq/L; potássio <3,0 mEq/L; ou uma diminuição na taxa de filtração glomerular de mais de 50%).

        Após mais de nove meses de acompanhamento, 14,3% dos novos usuários de diuréticos tiazídicos desenvolveu um evento adverso, em comparação com 6,0% dos não usuários (número necessário para causar dano (NND) = 12; IC95% = 9 – 17; P <0,001). Além disso, 1,8% dos novos usuários desenvolveu um grave evento adverso, em comparação com 0,6% dos não usuários (NND = 82; P = 0,008), e 3,8% dos novos usuários precisaram procurar um pronto-socorro ou foram hospitalizados por evento adverso, em comparação com 2,0% dos não-usuários (NND = 56; P = 0,02). O risco de eventos adversos não variou de acordo com a idade, mas com a presença de cinco ou mais comorbidades foi associado com três vezes mais chances (IC95% = 1,4 – 6,2) de desenvolver um evento adverso, comparado a ter apenas uma comorbidade (hipertensão). Valores de sódio e potássio no limite inferior da normalidade ou cujos valores basais não foram medidos antes da introdução da droga foram os mais fortes preditores de hiponatremia e hipocalemia. Apenas 42% dos usuários de tiazídicos fizeram monitorização laboratorial no prazo de 90 dias após o início do uso da medicação.

 

Aplicações Práticas

        Este estudo observacional demonstrou muito claramente que em pacientes idosos a introdução de um diurético tiazídicos oferece riscos de eventos adversos metabólicos, incluindo hiponatremia, hipocalemia e queda da filtração glomerular. Pelo estudo fica clara a necessidade de monitorização laboratorial destes pacientes tanto antes da introdução da medicação quanto precocemente após o início do uso. Qualquer novo sintoma deve ser valorizado nesse sentido para idosos novos usuários, principalmente aqueles com mais comorbidades de base, que apresentam três vezes mais chance de terem eventos adversos.

        Apesar de não ser um resultados surpreendente, este estudo nos faz lembrar que mesmo terapêuticas aparentemente simples não são isentas de risco, e que devemos conhecer estes riscos para saber como acompanhar adequadamente os pacientes.

 

Bibliografia

Makam AN et al. Risk of thiazide-induced metabolic adverse events in older adults. J Am Geriatr Soc 2014 Jun; 62:1039. (link para o artigo).

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