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Corticoide oral ou endovenoso para crises de esclerose múltipla?

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 14/11/2014

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Especialidades: Neurologia/Medicina de Emergência/Medicina Hospitalar

 

Contexto Clínico

O principal objetivo da terapia para esclerose múltipla (EM) é diminuir o risco de sofrer uma crise. Nenhum dos tratamentos disponíveis atualmente pode evitá-las  completamente, sendo assim, é necessário saber como manejar estas crises, o que normalmente é feito com corticoides,  que não oferecem benefício em longo prazo para os pacientes, porém aceleram a recuperação funcional nas crises, reduzindo a duração e a intensidade dos sintomas, sendo que a melhora de sintomas após um mês do tratamento chega a ocorrer em mais de 90% dos casos. Além disso, estudos com ressonância magnética mostram que o uso dos corticoides diminuem a atividade da doença no cérebro. Entretanto, não se sabe se existe diferença entre tratar as crises com corticoides orais ou parenterais.

 

O Estudo

Este é um ensaio clínico multicêntrico randomizado duplo-cego,  que teve o objetivo de comparar a eficácia clínica e radiológica, tolerabilidade e segurança da metilprednisolona endovenosa (EV) vs metilprednisolona por via oral (VO) em altas doses equivalentes em crises de esclerose múltipla.  

Um total de 49 pacientes com crise considerada de moderada a grave nos últimos 15 dias foram randomizados para receber metilprednisolona EV (1000mg/dia por três dias) ou VO (1250mg/dia por três dias) e seus placebos correspondentes. Uma escala padronizada para avaliação foi utilizada no início do quadro, em  1, 4 e 12 semanas (Expanded Disability Status Scale: EDSS). Uma ressonância de encéfalo foi feita no início do quadro e após uma  e quatro semanas. O desfecho primário avaliado foi a não inferioridade de melhoria em quatro semanas com base na escala EDSS e lesões na imagem de ressonância no mesmo período. Os desfechos secundários foram a segurança e a tolerabilidade.

O principal resultado foi que não houve inferioridade em quatro semanas tanto na avaliação de sintomas quanto do ponto de vista radiológico. As modalidades de tratamento foram bem toleradas e nenhum evento adverso grave foi relatado.

 

Aplicações Práticas

Este é um ensaio clínico muito bem desenhado que serviu para comparar corticoides orais com endovenosos para tratamento de crises de esclerose múltipla. O resultado é interessantíssimo, pois foi comparada uma pulsoterapia VO com EV (em doses equivalentes) e os resultados foram semelhantes do ponto de vista clínico e radiológico, sendo inclusive os dois tratamentos bastantes seguros de forma semelhante. Uma vez que os pacientes tendem a preferir tratamentos orais em vez de  parenterais, que interferem menos com a rotina familiar e com a vida social, este estudo fornece uma evidência classe I para que esta opção seja seguramente feita pelo médico que está indicando o tratamento da crise de esclerose múltipla. Além disso, essa escolha tem impacto econômico, pois pode evitar a hospitalização a depender do caso, evitando também riscos de infecção hospitalar. Fica apenas a critério do médico, baseado em outras condições como questões sociais ou de comorbidades, para indicar um tratamento endovenoso com o paciente hospitalizado.

 

Bibliografia

Ramo-Tello C et al. A randomized clinical trial of oral versus intravenous methylprednisolone for relapse of MS. Mult Scler 2014 May; 20:717 (link para o artigo).

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