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Impacto da Imunização Materna na Incidência de Coqueluche

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 21/11/2014

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Especialidades: Pediatria/Medicina de Família/Obstetrícia/Infectologia

 

Contexto Clínico

        O ressurgimento da coqueluche tem sido relatado recentemente em vários países, mas as razões ainda não são totalmente compreendidas. Sugere-se que isso seja multifatorial: a maior disponibilidade de métodos para confirmar o diagnóstico (por exemplo, sorologia e PCR), a sensibilização dos profissionais de saúde e a diminuição da imunidade natural ou vacinação durante os períodos de baixa atividade de coqueluche. Também sugere-se que haja mudanças na bactéria Bordetella pertussis e que tenha havido diminuição da duração da proteção ou eficácia contra a transmissão com vacinas acelulares (em comparação com as vacinas de células inteiras).

        As altas taxas de doença em crianças com menos de três meses e um aumento concomitante nas mortes infantis relacionadas com coqueluche levou a uma revisão urgente de estratégias de controle no Reino Unido. Em setembro de 2012, o Departamento de Saúde do Reino Unido recomendou um programa temporário para oferecer uma vacina (Repevax da Sanofi Pasteur MSD: contra difteria, tétano, coqueluche (acelular) e vírus da poliomielite inativado, também conhecido como dTPa/IPV-a) para todas as mulheres entre 28 e 38 semanas de gravidez.

        Embora o Comitê Consultivo Global da OMS sobre Segurança das Vacinas tenha pronunciado a segurança da vacinação com vacinas inativadas na gravidez, a eficácia de um programa de imunização materna para coqueluche nunca foi demonstrado.

 

O Estudo

        Em outubro de 2012, um programa de vacinação contra coqueluche para grávidas foi introduzido em resposta a um surto em toda a Inglaterra. O objetivo do presente estudo foi avaliar a eficácia da vacina e o efeito global do programa de vacinação na prevenção da coqueluche em bebês.

        Foi realizada uma análise dos casos confirmados por laboratório e internações hospitalares por coqueluche em crianças entre 1 de janeiro de 2008 e 30 de setembro de 2013, utilizando os dados submetidos ao sistema de Saúde Pública da Inglaterra como parte de sua vigilância reforçada da coqueluche para investigar o efeito do programa de vacinação. Foi calculada a eficácia da vacina, comparando o estado de vacinação para as mães em casos confirmados frente às estimativas de cobertura vacinal para a população nacional de mulheres grávidas.

        O total mensal de casos confirmados atingiu o pico em outubro de 2012 (1.565 casos) e, posteriormente, caiu em todas as faixas etárias. Nos primeiros nove meses de 2013 em comparação com o mesmo período de 2012, a maior queda proporcional nos casos confirmados (328 casos em 2012 contra 72 casos em 2013; queda de 78%,) e nas hospitalizações (440 admissões em 2012 contra 140 admissões em 2013; queda de 68%) ocorreram em crianças com menos de três meses, embora a incidência se mantivesse  mais elevada neste grupo etário. Crianças com menos de três meses foram também a única faixa etária em que houve menos casos em 2013 do que em 2011 (118 casos em 2011 contra 72 casos em 2013).

        A efetividade da vacina com base em 82 casos confirmados em crianças nascidas a partir de 01 de outubro de 2012 e menos de três meses no início foi de 91%. A eficácia da vacina foi de 90% quando a análise foi restrita aos casos em crianças menores de dois meses.

 

Aplicações Práticas

        Este interessante estudo da população do Reino Unido demonstrou que o programa de vacinação contra coqueluche em gestantes que foi realizado na Inglaterra comprovou eficácia elevada da vacina. Esta eficácia provavelmente resulta de proteção das crianças por anticorpos passivos (passados pela mãe, principalmente pelo leite materno) e também pela reduzida exposição materna.

        Sem dúvidas, esse resultado é de grande impacto populacional, uma vez que estamos falando de doença grave em bebês, deve ser levado em consideração para programas vacinais em outros países, mesmo no Brasil.

Independente de políticas públicas, deve ser prática rotineira dos obstetras a indicação da vacinação da tríplice bacteriana acelular, conhecida como dTPa em nosso meio, para gestantes com 28 a 38 semanas de gestação, de forma a beneficiar seus bebês.

 

Bibliografia

Amirthalingam G et al. Effectiveness of maternal pertussis vaccination in England: An observational study. Lancet 2014 Jul 16; [e-pub ahead of print]. (link para o artigo).

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