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Devemos Fazer Triagem para Aneurismas Intracranianos em Pessoas com Histórico Familiar?

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 07/01/2015

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Especialidades: Neurologia/Medicina de Família

 

Contexto Clínico

Uma das principais causas de hemorragias intracranianas são as hemorragias secundárias a aneurismas intracerebrais. Indivíduos com dois ou mais parentes de primeiro grau que tiveram hemorragia subaracnoidea por aneurisma (HSAA) têm maior risco de aneurismas e HSAA também. Entretanto, há dúvidas sobre o benefício de rastreamento de aneurismas em indivíduos assintomáticos para tentar realizar a prevenção primária de eventos.

 

O Estudo

Foi realizado um estudo observacional do tipo coorte, onde foram analisados os resultados da triagem de indivíduos com história familiar positiva de HSAA (dois ou mais parentes de primeiro grau que tiveram HSAA ou aneurismas intracranianos não rotos) realizada no Centro Médico da Universidade de Utrecht na Holanda, entre 1993 e 2013. Os exames de angiografia por ressonância magnética ou angiografia por TC foram realizados a partir da idade de 16 a 18 anos até 65 a 70 anos. Foi registrada a história familiar de aneurismas intracranianos rotos e não rotos, história de tabagismo, hipertensão, aneurismas anteriores, datas de triagem e resultados de triagem. Foram identificados fatores de risco para triagens iniciais positivas e de acompanhamento sob análise de regressão univariada e multivariada.

Identificamos aneurismas em 51 (11%) de 458 indivíduos na primeira triagem, em 21 (8%) de 261 na segunda triagem, em sete (5%) de 128 na terceira triagem e em três (5%) de 63 na quarta triagem. Cinco (3%) de 188 indivíduos sem história de aneurismas e com duas triagens negativas apresentaram novo aneurisma em uma triagem de acompanhamento.

Tabagismo (OR: 2,7; IC95%: 1,2-5,9), história de aneurismas anteriores (OR: 3,9; IC95%: 1,2-12,7) e história familiar de aneurisma (OR: 3,5; IC95%: 1,6-8,1) foram fatores de risco significativos para aneurismas na primeira triagem na análise multivariada. História de aneurismas anteriores foi o único fator de risco significativo para aneurismas na triagem de acompanhamento (taxa de risco de 4,5; IC95%: 1,1-18,7). Aneurismas foram identificados em seis (5%) de 129 indivíduos que foram triados antes dos 30 anos de idade. Um único paciente desenvolveu novo aneurisma que rompeu três anos após a última triagem negativa.

 

Aplicações Práticas

Este estudo observacional verificou em análise multivariada que são três os grandes fatores de risco para a presença de aneurismas intracranianos em triagem com imagem. São eles em ordem de importância: história de aneurisma prévio (OR de 3,9), história familiar de aneurisma (OR de 3,5) e tabagismo (OR de 2,7). Por esses dados podemos concluir que em indivíduos com histórico familiar de HSAA, a validade da triagem de longo prazo é substancial, mesmo depois de mais de 10 anos de acompanhamento e duas triagens negativas iniciais, conforme visto pelo formato de seguimento do estudo. Obviamente, por ser um único estudo em uma população específica, vale a pena aguardar mais dados da literatura que validem esta triagem em diferentes populações. Ainda assim, para o seguimento individual de pacientes, este estudo valida a decisão do médico de indicar a triagem em pacientes que o médico julgue benéfico realizar esta rotina.

 

Bibliografia

Bor AS, Rinkel GJ, van Norden J, Wermer MJ. Long-term, serial screening for intracranial aneurysms in individuals with a family history of aneurysmal subarachnoid haemorrhage: a cohort study. Lancet Neurol. 2014;13:385-92. (link para o artigo).

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