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Proteína C-Reativa seriada para diferenciar infecções em pediatria

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 09/01/2015

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Especialidades: Medicina de Emergência/Pediatria/Infectologia

 

Contexto Clínico

Um desafio clínico na avaliação de febre em pacientes pediátricos é a diferenciação entre uma infecção bacteriana que requer antibiótico e uma infecção viral que geralmente é autolimitada e precisa apenas da prescrição de sintomáticos. Uma possibilidade seria o uso da  proteína C-reativa (PCR), que já vem sendo usada para ajudar a determinar o risco de infecção bacteriana. No entanto, dada a sua meia-vida curta, uma única medida pode não ser tão preditiva como múltiplas medições seriadas, que são difíceis de executar em um ambiente como o pronto-socorro. Sendo assim, foi realizado um estudo para determinar se o tempo de início da febre altera a precisão da PCR no diagnóstico de infecções bacterianas em crianças febris.

 

O Estudo

Este é um estudo observacional prospectivo, realizado com crianças que se apresentaram em departamento de emergência com febre. O desempenho diagnóstico da PCR em diferentes pontos do tempo em relação ao início da febre foi comparado usando uma curva ROC (receiver operating characteristic).

Entre os 373 pacientes incluídos, 103 (28%) apresentaram infecção bacteriana. O ponto de corte ideal para a PCR sugerindo infecção bacteriana mudou com o tempo de aparecimento da febre: 6 mg/dL para > 12-24 h da febre; 10,7mg/dL para > 24-48h; e 12,6 mg/dL para > 48 h de febre. A questão do tempo entre o início da febre e a medida da PCR melhorou a área sob a curva de 0,83 (IC95%: 0,78-0,88) para uma dosagem de PCR qualquer para 0,87 (IC95%: 0,77-0,96) e 0,90 (IC95%: 0,84-0,97) quando no corte de > 24-48h e no corte de  >48h de febre, respectivamente. A duração da febre afetou principalmente a capacidade de PCR determinar corretamente infecções bacterianas. Um nível de PCR de 2 mg/dL obtido com = 24 horas de febre corresponde a uma probabilidade pós-teste para infecção bacteriana de 10%, enquanto que o mesmo valor obtido com > 24 h de febre reduz o risco para 2%.

 

Aplicações Práticas

Este estudo observacional pode demonstrar de forma bastante prática que devem ser aplicados diferentes valores de corte de PCR, para identificar ou excluir uma possível infecção bacteriana em crianças, mas também levando em conta o tempo de duração da febre, no momento do teste de PCR. Por este estudo fica claro que o papel da PCR é mais discriminatório após 24h do início da febre, e ainda melhor após 48h de febre. Este uso mais racionalizado da PCR em crianças pode auxiliar a poupar o uso de antibióticos desnecessariamente em muitos casos.

 

Bibliografia

Segal I et al. Use of time from fever onset improves the diagnostic accuracy of C-reactive protein in identifying bacterial infections. Arch Dis Child 2014 May 15; [e-pub ahead of print]. (link para o artigo).

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