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Impacto da Vacinação para Gripe em Escolas

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 21/01/2015

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Especialidades: Medicina de Família/Pediatria/Infectologia

 

Contexto Clínico

A despeito de não ser uma doença de grande morbidade, a gripe causa impacto social importante principalmente em extremos de idade e em pacientes com comorbidades. Especificamente em crianças em idade escolar, gripes têm impacto no que tange absenteísmo escolar, algo de impacto para famílias e para as próprias crianças. Além disso, crianças em idade escolar têm altas taxas de gripe e servem como vetores na comunidade para a disseminação da gripe. A prevenção da gripe nesta faixa etária tem sentido dada essa perspectiva.

Estudos anteriores demonstraram que a vacinação de crianças contra a gripe reduz as taxas de influenza na comunidade em todas as faixas etárias. No entanto, realizar imunização anual comparada a uma vacinação contra a gripe sazonal é um desafio. Uma alternativa seria realizar a vacinação de forma mais abrangente, utilizando escolas para isso. Programas de vacinação contra a gripe que sejam feitos em escolas podem ser eficientes em imunizar um grande número de crianças em idade escolar. Um estudo que mostraremos a seguir avaliou o impacto de um programa de vacinação para gripe em escolas.

 

O Estudo

Os pesquisadores deste estudo realizaram vigilância ativa para doenças semelhantes à gripe (ILI), realizando reação em cadeia da polimerase (PCR) para confirmação de casos de gripe durante uma temporada de gripe típica. Foram avaliadas 4.455 crianças que frequentavam quatro escolas com programas de vacinação da gripe e quatro escolas de controle (sem programa de vacinação). O estudo foi realizado em Los Angeles, nos EUA.

As taxas de imunização entre os estudantes das escolas com programa de vacinação intervenção foram de 27% a 47% contra 0,8% a 4,0% nas escolas de controle. Em geral, 21% de 1021 episódios de infecções foram PCR positivos para a gripe, sendo os vírus mais frequentes o H1N1  (30,9%), H3 (9,2%) e B (59,9%). Crianças em escolas com programa de vacinação, independentemente do seu estado de imunização, foram 30,8% menos propensas a ter gripe do que as crianças das escolas de controle. Crianças não vacinadas foram indiretamente protegidos na escola com a cobertura da vacinação de quase 50% em comparação com as escolas controle (taxa de influenza de 27,1 vs 60,0 por 1000 crianças, P = 0,023). Crianças não vacinadas perderam mais dias de escola do que as crianças vacinadas (4,3 vs 2,8 dias por 100 dias letivos, P <0,001).

 

Aplicações Práticas

Este interessante estudo observacional de comunidade verificou que a vacinação de pelo menos um quarto da população escolar resultou na diminuição das taxas de gripe e maior frequência escolar. Há um efeito de imunidade de rebanho mesmo para crianças não vacinadas em escolas com programas de vacinação, algo que foi demonstrado com uma cobertura da vacinação que se aproxima de 50% das crianças das escolas. Mesmo este estudo tendo sido feito em apenas uma área geográfica, seu resultado é extremamente interessante, pois dá suporte à criação de programas de vacinação em escolas. Algo que não foi avaliado no estudo foi o impacto na comunidade. Mas é plausível pensar que familiares destas crianças também tiveram benefícios. Se pensarmos em idosos, provavelmente deve ter havido impacto positivo. Mesmo para adultos jovens é razoável imaginarmos menor chance de absenteísmo no trabalho, seja por não ter que cuidar de seu filho em casa, seja por não contrair gripe de seu filho e ter impacto pessoal. Um programa assim deve ser pensado pelo Governo.

 

Bibliografia

Pannaraj PS et al. School-located influenza vaccination decreases laboratory-confirmed influenza and improves school attendance. Clin Infect Dis 2014 Aug 1; 59:325. (link para o artigo).

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