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Teixobactin - Um Novo Antibiótico

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 08/05/2015

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Contexto Clínico

A introdução dos antibióticos na prática médica se deu na década de 1940, começando com a penicilina e a estreptomicina. Novos antibióticos foram surgindo com o passar dos anos, mas veio também o desenvolvimento de resistência por parte das bactérias. Isso torna necessário que novos compostos sejam descobertos.

Entretanto, a descoberta de medicamentos antimicrobianos é excepcionalmente difícil, principalmente devido à fraca penetração de compostos em células bacterianas. Produtos naturais evoluíram para romper as barreiras de penetração de bactérias-alvo, e a maioria dos antibióticos introduzidos na prática médica foram descobertos por triagem de microrganismos que crescem em meio de cultura. A limitação deste método na década de 1960 trouxe um fim à era inicial de descoberta de antibióticos. Abordagens sintéticas não foram capazes de substituir os produtos naturais. A esperança de novos antibióticos está em 99% das bactérias, que é a proporção que nunca se conseguiu cultivar.

 

O Estudo

Pesquisadores conseguiram desenvolver um dispositivo que permite o crescimento em cultura de bactérias anteriormente não cultivadas. Extratos de 10.000 compostos isolados obtidos por esse método foram testados para a atividade antibacteriana. Uma molécula que os investigadores chamaram de teixobactin, extraída a partir de uma nova espécie de bactéria nomeada provisoriamente de Eleftheria terrae, provou ter ação contra numerosos organismos gram-positivos, incluindo estirpes resistentes a drogas. Seu mecanismo de ação parece ser a inibição da síntese do peptidoglicano por ligação a alvos não proteicos. Não se observou resistência em colônias de Staphylococcus aureus em baixas concentrações de teixobactin. Em um modelo de ratos, o teixobactin foi verificado como não tóxico e eficaz no tratamento de infecções causadas por S. aureus resistente à meticilina e Streptococcus pneumoniae.

 

Aplicações Práticas

Este estudo é fantástico e vem trazer luz a uma realidade difícil que é a falta de novos antibióticos para uso clínico. O primeiro fator  a se observar neste estudo é o avanço no cultivo de bactérias que antes não eram possíveis de ser cultivadas para obtenção de compostos novos.

E obviamente, a descoberta da atividade do teixobactin é excelente, principalmente porque a droga não depende de ligação a uma proteína, tornando improvável que se desenvolva resistência. Aguardamos os testes clínicos que permitam que a medicação chegue para uso clínico. E como observaram os próprios autores do estudo, é muito provável que outros compostos naturais estejam esperando para serem descobertos.

 

Bibliografia

 

Ling LL et al. A new antibiotic kills pathogens without detectable resistance. Nature 2015 Jan 7; [e-pub ahead of print]. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1038/nature14098)

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