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Nível de Troponina e Diagnóstico de Infarto em Mulheres

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 05/06/2015

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Contexto Clínico

Existem grandes desigualdades entre homens e mulheres tanto no tratamento quanto na evolução de síndromes coronárias agudas. Recentemente vem sendo demonstrado um aumento em mortes precoces e tardias em mulheres.  É importante ressaltar que as mulheres com suspeita de síndrome coronariana aguda são menos propensas a ter um diagnóstico de infarto do miocárdio, uma observação anteriormente atribuída aos sintomas atípicos e achados menos confiáveis ??em eletrocardiogramas.

Para o diagnóstico de infarto do miocárdio se preconiza o uso de ensaios de troponina, com um aumento acima do limite superior de referência (derivado do percentil 99 de uma população normal de referência) definindo infarto do miocárdio em pacientes com sintomas ou sinais de isquemia do miocárdio. Embora a definição universal de infarto do miocárdio defenda o percentil 99 como o limite superior de referência, apenas um em cada três laboratórios clínicos atualmente usam isso como o limiar de diagnóstico, dada a imprecisão analítica de ensaios de troponina estabelecidos. Os ensaios de troponina ultrassensível melhoram o diagnóstico de infarto do miocárdio, e o uso desses ensaios tem sido associado  a reduções de infarto do miocárdio recorrente e morte. Entretanto, não se sabe se o uso de um único limiar de diagnóstico tem contribuído para o sub-diagnóstico de infarto do miocárdio em mulheres.

 

O Estudo

Pacientes consecutivos com suspeita de síndrome coronariana aguda (n = 1126, 46% de mulheres) foram incluídos neste estudo de coorte. Dois cardiologistas julgaram independentemente o diagnóstico de infarto do miocárdio por meio de um troponina I ultrassensível com os limites específicos de diagnóstico por sexo (homens de 34 ng/L, mulheres de 16 ng/L) e foi feita uma comparação com um ensaio tradicional (50 ng/L, limiar único).

A troponina ultrassensível de alta sensibilidade aumentou notavelmente o diagnóstico de infarto do miocárdio em mulheres (de 11% para 22%; P <0,001), mas teve um efeito mínimo nos homens (de 19% para 21%, P = 0,002). As mulheres foram mais propensas do que os homens a serem encaminhadas  ao cardiologista ou submetidas à revascularização coronária (P <0,05 para ambos). Com 12 meses, as mulheres com aumentos menores de concentração de troponina (17-49 ng/L) e aquelas com infarto do miocárdio (=50 ng/L) apresentaram a maior taxa de morte ou reinfarto em comparação com as mulheres sem (=16 ng/L) infarte do miocárdio (25%, 24% e 4%, respectivamente; P <0,001).

 

Aplicações Práticas

Este interessante estudo tem duplo papel. O primeiro é mostrar o papel da troponina ultrassensível para o diagnóstico de infarto do miocárdio. Mas o mais importante é que usar limites específicos para fazer o diagnóstico conforme o sexo pode dobrar o diagnóstico de infarto do miocárdio em mulheres e identificar aqueles com alto risco de reinfarto e óbito. Esta é uma mudança de paradigma, que nos faz pensar que homens e mulheres precisam de abordagens diferentes para que possam receber tratamento igualmente adequado.

 

Bibliografia

Shah ASV et al. High sensitivity cardiac troponin and the under-diagnosis of myocardial infarction in women: Prospective cohort study. BMJ 2015 Jan 21; 350:g7873. (http://dx.doi.org/10.1136/bmj.g7873)

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