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Resumo dos Melhores Artigos de 2014 em Pediatria

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 24/06/2015

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Os Artigos

Antibiótico profilático pra refluxo vesicoureteral: crianças com infecção urinária febril comumente têm refluxo vesicoureteral. Como os resultados dos estudos têm sido limitados e inconsistentes, o uso de profilaxia antimicrobiana para evitar recorrências em crianças com refluxo permanece controverso. Um estudo randomizado controlado foi feito com mais de 600 crianças com refluxo vesicoureteral pós-infecção urinária. Foi usada profilaxia com trimetoprim-sulfametoxazol ou placebo. Infecção urinária de repetição ocorreu em 39 de 302 crianças que receberam profilaxia, em comparação com 72 de 305 crianças que receberam placebo (risco relativo de 0,55; IC95%: 0,38-0,78). A profilaxia reduziu o risco de recorrência em 50%, e foi ainda mais efetiva em crianças cujo episódio de infecção foi febril, ou nas crianças com disfunção de bexiga ou intestinal. O Número necessário para tratar foi de 8 crianças. O único problema é que a profilaxia não diminuiu a chance de cicatriz renal e a resistência de E.coli à trimetoprim-sulfametoxazol foi maior nas crianças que receberam a medicação. Este estudo aponta um resultado que pode ser usado para definir ou não o uso de profilaxia conforme o caso e decisão clínica.

 

Espirometria para avaliação de asma em crianças: o objetivo deste estudo foi a concordância entre espirometria e sintomas de asma na avaliação da gravidade da asma e início de tratamento em crianças. Na população de crianças estudadas (5 a 19 anos), com base em classificações de gravidade clínica, 61,7% dos casos tinham asma intermitente ou persistente leve; 33,4% tinham asma persistente moderada; e 4,8% tinham asma persistente grave. Quanto mais grave a doença, mais associação com diminuição em VEF1, CVF e VEF1/CVF. Em 36% dos casos a espirometria foi pior que a gravidade clínica. Após inalação a discordância entre espirometria e clínica foi maior entre os pacientes com níveis mais graves de asma conforme a espirometria. Uma vez que o tratamento adequado é guiado pela gravidade da asma, os resultados da espirometria podem melhorar o tratamento de crianças asmáticas ao classificar melhor a gravidade da doença.

 

Tratamento antiviral para crianças hospitalizadas por Influenza: supõe-se que o tratamento com inibidores de neuroaminidase aumentam a sobrevida de adultos acometidos por forma grave de influenza. Neste estudo, focou-se em uma população < 18 anos, incluindo uma análise retrospectiva de mais de 800 casos hospitalizados durante a epidemia de H1N1 em 2009 e em dois anos subsequentes. Cerca de 90% das crianças receberam o tratamento durante a epidemia, o que caiu para 63% nos anos seguintes. A mediana de tempo para início do tratamento foi de três dias. Um total de 49 (6%) dos casos morreu, sendo que características demográficas como idade mais jovem não se relacionaram com mortalidade. Mas o uso de tratamento com inibidor de neuroaminidase e início precoce do mesmo se relacionou com menos mortalidade, o que é indicativo de que casos de crianças que internem por influenza devem recebam olsetamivir.

 

Bacteremia em bebês: a ocorrência de febre em bebês sempre é problemática. Em um estudo retrospectivo com crianças < 90 dias com febre, mostraram as seguintes prevalências de bactérias - Escherichia coli (42%), Streptococcus do grupo B (23%), S. pneumoniae (6%), e S. aureus (5%). Não foram identificados casos de Listeria monocytogenes. Mais de 90% dos casos de bacteremia por E. coli tinham infecção urinária, e 27% das bacteremia por estreptococos do grupo B tinham meningite. Este estudo é importante para orientar antibioticoterapia neste perfil de bebês.

 

Bibliografia

The RIVUR Trial Investigators.Antimicrobial prophylaxis for children with vesicoureteral reflux. N Engl J Med 2014 May 4; [e-pub ahead of print]. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1056/NEJMoa1401811)

 

Schifano ED et al. Mismatch between asthma symptoms and spirometry: Implications for managing asthma in children. J Pediatr 2014 Sep 1; [e-pub ahead of print]. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1016/j.jpeds.2014.07.026)

 

Louie JK et al. Neuraminidase inhibitors for critically ill children with influenza. Pediatrics 2013 Dec; 132:e1539. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1542/peds.2013-2149)

 

Biondi E et al. Epidemiology of bacteremia in febrile infants in the United States. Pediatrics 2013 Dec; 132:990. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1542/peds.2013-1759)

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