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Propranolol para Hemangioma Infantil

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 17/07/2015

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Contexto Clínico

Os hemangiomas infantis são os tumores de partes moles benignos mais comuns na infância, acometendo de 3 a 10% das crianças. O diagnóstico normalmente é feito entre o 4o e 6o mês de vida. O tratamento inclui corticoides, interferon-alfa e vincristina, porém tais drogas oferecem riscos. O uso de um beta-bloqueador não seletivo como propranolol é uma forma de tratamento com perfil de risco melhor, porém faltam estudos randomizados que respaldem de forma consistente seu uso.

        

O Estudo

Foi realizado um estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego, para avaliar a eficácia e a segurança de uma solução pediátrica de propranolol oral em crianças de um a cinco meses de idade, com hemangioma infantil em proliferação, com necessidade de terapia sistêmica. Os lactentes foram distribuídos aleatoriamente para receber placebo ou um de quatro regimes de tratamento do propanolol (1 ou 3 mg de base de propranolol por quilograma de peso corporal por dia durante três ou seis meses). O desfecho primário avaliado foi um sucesso (resolução completa ou quase completa do hemangioma alvo) ou fracasso do tratamento na semana 24, conforme analisado por avaliações independentes, cegadas e por fotografias padronizadas.

De 460 crianças que se submeteram à randomização, 456 receberam tratamento. Com base em uma análise provisória dos primeiros 188 pacientes que completaram 24 semanas de tratamento do estudo, o regime de 3mg de propranolol por quilograma por dia durante seis meses, foi selecionado para a análise de eficácia final. A frequência de tratamento bem sucedido foi maior com este regime do que com placebo (60% vs. 4%, P <0,001). Um total de 88% dos pacientes que receberam o regime de propranolol selecionado mostrou melhoria, em comparação com 5% dos pacientes que receberam placebo. Um total de 10% dos pacientes nos quais o tratamento com propranolol foi bem sucedido precisaram de novo tratamento sistêmico durante o seguimento. Eventos adversos conhecidos associados com propranolol (hipoglicemia, hipotensão, bradicardia, broncoespasmo) ocorreram com pouca frequência, com nenhuma diferença significativa na frequência entre o grupo de placebo e os grupos que receberam o propranolol.

 

Aplicações Práticas

O propranolo já vinha sendo usado no tratamento do hemangioma infantil. Porém faltava um estudo consistente, randomizado, que demonstrasse a real eficácia e segurança deste tratamento. Este ensaio é excelente nesse sentido, pois mostrou que o propranolol foi eficaz na dose de 3mg/kg/dia durante seis meses para o tratamento de hemangioma infantil. Sendo assim, passa a ser uma conduta fortemente recomendada.

 

Bibliografia

Léauté-Labrèze C et al. A randomized, controlled trial of oral propranolol in infantile hemangioma. N Engl J Med 2015 Feb 19; 372:735. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1056/NEJMoa1404710)

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