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Hipotermia Terapêutica em PCR de Crianças

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 12/08/2015

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Contexto Clínico

A hipotermia terapêutica é recomendada para adultos em coma depois de parada cardiorrespiratória testemunhada fora do hospital, mas os dados sobre esta intervenção em crianças são limitados.

 

O Estudo

Foi realizado um ensaio clínico com intervenções para dois alvos de temperatura para 38 crianças que permaneceram inconscientes após  parada cardíaca fora do hospital. No prazo de seis horas após o retorno da circulação, pacientes comatosos que eram mais velhos do que dois dias e menos de 18 anos de idade foram distribuídos aleatoriamente para a hipotermia terapêutica (temperatura alvo, 33,0 °C) ou normotermia terapêutica (temperatura alvo, 36,8 °C). O resultado de eficácia primário foi a sobrevida em 12 meses após a parada cardíaca, avaliado com o Vineland Adaptive Behavior Scales, segunda edição (VABS-II) que tenha atingido pontuação de 70 ou superior (em uma escala 20-160, com escores mais elevados indicando melhor função). Apenas pacientes com uma pontuação VABS-II de pelo menos 70 antes de uma parada cardíaca foram avaliados.

Um total de 295 pacientes foram submetidos à randomização. Entre os 260 doentes com dados que possam ser avaliadas e que tiveram uma pontuação VABS-II de pelo menos 70 antes da parada cardíaca, não houve diferença significativa no desfecho primário entre o grupo hipotermia e o grupo normotermia (20% vs 12% ; Likelihood Ratio: 1,54; IC95%: 0,86-2,76; P = 0,14). Entre todos os pacientes com dados que podem ser avaliados, a alteração na pontuação VABS-II a partir da linha de base aos 12 meses, não foi significativamente diferente (P = 0,13) e na sobrevivência de um ano foi semelhante (38% vs no grupo hipotermia 29 % no grupo normotermia; Likelihood Ratio:1,29; IC95%: 0,93-1,79; P = 0,13). Os grupos tiveram incidências semelhantes de infecção e arritmias graves, bem como o uso semelhante de produtos sanguíneos e mortalidade em 28 dias.

 

Aplicações Práticas

Este estudo randomizado demonstra que não é necessário perder tempo nem energia realizando hipotermia terapêutica pós-parada cardiorrespiratória em crianças. Segundo os dados,   em crianças que sobreviveram em coma a uma parada cardíaca fora do hospital, a hipotermia terapêutica, em comparação com normotermia terapêutica, não conferiu uma vantagem significativa na sobrevida com um bom resultado funcional em um ano.

 

Bibliografia

Moler FW et al. Therapeutic Hypothermia after Out-of-Hospital Cardiac Arrest in Children. N Engl J Med 2015; 372:1898-1908

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