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Alto Fluxo de Oxigênio em Cânula Nasal para Insuficiência Respiratória

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 09/09/2015

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Contexto Clínico

A base do tratamento de uma insuficiência respiratória aguda – IRpA (que na maior parte dos casos é hipoxêmica) – é o uso do oxigênio. Em algumas etiologias de insuficiência respiratória aguda, o uso de ventilação não invasiva como forma de administração de oxigênio leva a menor chance de intubação. Isso é válido para DPOC descompensado e Edema Agudo de Pulmão (EAP). Entretanto, não se sabe qual a melhor modalidade para fornecer oxigênio na IRpA.

 

O Estudo

Foi realizado um estudo multicêntrico aberto no qual pacientes que tinham insuficiência respiratória hipoxêmica aguda (sem hipercapnia) foram distribuídos aleatoriamente e uma relação da pressão parcial de oxigênio no sangue arterial por fração inspirada de oxigênio (PaO2/FiO2) de 300 mmHg ou menos para receber oxigênio em alto fluxo por cânula nasal (umidificado, em 50L/min de fluxo com cânula especial), terapia padrão com oxigênio fornecido através de uma máscara facial, ou ventilação não invasiva. O desfecho primário foi a proporção de pacientes entubados no dia 28; desfechos secundários incluíram todas as causas de mortalidade na unidade de terapia intensiva  em 90 dias e o número de dias livres de ventilador no dia 28.

Um total de 310 pacientes foram incluídos nas análises. A taxa de intubação (desfecho primário) foi de 38% (40 de 106 pacientes) no grupo de alto fluxo de oxigênio, 47% (44 de 94) no grupo padrão, e 50% (55 de 110) na ventilação não invasiva (P = 0,18 para todas as comparações). O número de dias livres de ventilador no dia 28 foi significativamente maior no grupo de alto fluxo de oxigênio (24 ± 8 dias, contra 22 ± 10 no grupo de padrão de oxigênio e 19 ± 12 no grupo não invasivo ventilação; P = 0,02 para todas as comparações). A taxa de risco de morte em 90 dias foi de 2,01 (intervalo de confiança de 95% [IC], 1,01-3,99) com o oxigênio padrão contra oxigênio de alto fluxo (P = 0,046) e 2,50 (IC 95%, 1,31-4,78) com ventilação não invasiva contra oxigênio de alto fluxo (P = 0,006).

 

Aplicações Práticas

Seria esse estudo uma quebra de paradigma? Observamos claramente que o desfecho primário foi igual nos três grupos (o que por si só mostra que oxigênio em alto fluxo pode ser tão bom quanto ventilação não invasiva). Mas nos desfechos secundários, o oxigênio em cânula nasal se sobressaiu, o que leva à conclusão que em pacientes com insuficiência respiratória hipoxêmica aguda não hipercápnica, o tratamento com oxigênio de alto fluxo proporcionou menos dias sob intubação e menor mortalidade de 90 dias.

 

Bibliografia

Frat J-P, Thille AW, Mercat A, et al. High-flow oxygen through nasal cannula in acute hypoxemic respiratory failure. N Engl J Med. DOI: 10.1056/NEJMoa1503326

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