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Filtro de Veia Cava Não Melhora o Tratamento de TEP

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 05/10/2015

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Contexto Clínico

Mitos médicos julgam que o tratamento do tromboembolismo pulmonar (TEP) deva agregar anticoagulação com uso de filtros de veia cava inferior. Mas embora os filtros recuperáveis de veia cava inferior sejam frequentemente usados, além de anticoagulação em pacientes com tromboembolismo venoso agudo, sua relação risco-benefício não é clara.

Sendo assim, apresentamos estudo cujo objetivo foi avaliar a eficácia e a segurança de filtros de veia cava recuperáveis, além de anticoagulação vs anticoagulação sozinha na prevenção da recorrência de embolia pulmonar em pacientes com embolia pulmonar aguda e um alto risco de recorrência.

 

O Estudo

Este foi um estudo randomizado, realizado na França, com seis meses de follow-up realizado de agosto de 2006 a janeiro de 2013. Os pacientes hospitalizados com embolia pulmonar aguda, sintomática associada à trombose venosa de membros inferiores e pelo menos um critério de gravidade foram designados para implantação de filtro de veia cava inferior recuperáveis, mais anticoagulação (grupo de filtro; n = 200) ou anticoagulação sozinha sem o implante de filtro (grupo controle; n = 199).

A anticoagulação foi feita em dose plena durante pelo menos seis meses em todos os pacientes. Quem recebeu o filtro teve sua recuperação planejada em três meses após a colocação.

O desfecho avaliado foi eficácia de prevenção de embolia pulmonar recorrente sintomática em três meses. Os desfechos secundários foram embolia pulmonar recorrente em seis meses, trombose venosa profunda sintomática, hemorragia grave, morte aos três e seis meses, e complicações de filtro.

No grupo filtro, o filtro foi inserido com sucesso em 193 pacientes e foi recuperada como previsto em 153 dos 164 pacientes nos quais a recuperação foi testada. Aos três meses, embolia pulmonar recorrente ocorreu em seis pacientes (3,0%; todos fatais) no grupo de filtro e em três pacientes (1,5%; 2 fatais) no grupo de controle (risco relativo com filtro: 2,00; IC95%: 0,51-7,89; P = 0,50). Os resultados foram semelhantes aos seis meses. Não foi observada diferença entre os dois grupos em relação aos outros resultados. Trombose de filtro ocorreu em três pacientes.

 

Aplicações Práticas

 Neste excelente ensaio clínico randomizado podemos verificar que entre os pacientes hospitalizados com embolia pulmonar aguda grave, o uso de um filtro de veia cava inferior recuperável além de anticoagulação em comparação com anticoagulação sozinha não reduziu o risco de embolia pulmonar recorrente sintomática em três meses. Estes resultados não suportam a utilização deste tipo de filtro em pacientes que podem ser tratados apenas com anticoagulantes.

 

Bibliografia

Mismetti P et al. Effect of a retrievable inferior vena cava filter plus anticoagulation vs anticoagulation alone on risk of recurrent pulmonary embolism: A randomized clinical trial. JAMA 2015 Apr 28; 313:1627. (http://dx.doi.org/10.1001/jama.2015.3780)

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