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Dulaglutida pode substituir Insulina Basal de Longa Ação

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 14/10/2015

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Contexto Clínico

Para pacientes com diabetes tipo 2 que não atingem o controle glicêmico almejado com o tratamento com insulina convencional, normalmente se passa a usar um esquema de insulina basal de longa ação em dose diária. O objetivo do estudo que apresentaremos foi comparar a eficácia e a segurança de um inibidor de glucagon-like-peptídeo-1(GLP-1) de longa ação, o dulaglutida com a insulina glargina, ambos combinados com lispro nas refeições, em pacientes com diabetes tipo 2.

 

O Estudo

Foi feito um estudo randomizado, aberto, em 52 semanas, de não inferioridade, feito em 105 locais de estudo em 15 países. Os doentes (com idade =18 anos) com diabetes tipo 2 inadequadamente controlados com o tratamento com insulina convencional foram distribuídos aleatoriamente (1: 1: 1), através de uma sequência de randomização gerada por computador com um sistema de resposta de voz interativo, para receber dulaglutida uma vez por semana 1,5 mg, dulaglutida 0,75 mg, ou glargina ao dormir diariamente. A randomização foi estratificada por país e por uso de metformina. Os participantes e os investigadores do estudo não foram mascarados para alocação do tratamento, mas não estavam cientes de atribuição dulaglutida dose. O desfecho primário avaliado foi uma mudança na hemoglobina glicada (HbA1c) desde o início até a semana 2. A análise foi por intenção de tratar.

Entre 09 de dezembro de 2010 e 21 de setembro de 2012, foram distribuídos aleatoriamente 884 pacientes para receber dulaglutida 1,5 mg (n = 295), dulaglutida 0,75 mg (n = 293), ou glargina (n = 296). Com 26 semanas, a alteração média ajustada da HbA1c foi maior nos pacientes que receberam dulaglutida 1,5 mg (-1,64% [IC 95%: -1,78 a -1,50], -17,93 mmol/mol [-19,44 a -16,42]) e dulaglutida 0,75 mg (-1,59% [-1,73 a -1,45], -17,38 mmol/mol [-18,89 a -15,87]) do que naqueles que receberam glargina (-1,41% [-1,55 a -1,27], -15,41 mmol/mol [-16,92 a -13,90]). A diferença média ajustada contra glargina foi -0,22% (IC 95% -0,38 a -0,07, -2,40 mmol / mol [-4,15 a -0,77]; p = 0,005) para dulaglutida 1,5mg e -0,17% ( –0,33 a -0,02, -1,86 mmol/mol [–3,61 a -0,22]; p=0,015) para dulaglutida 0,75 mg. Cinco (<1%) pacientes morreram após a distribuição aleatória por causa de sepse (n = 1 no grupo de dulaglutida 1,5 mg); pneumonia (n = 1 no grupo de dulaglutida 0,75 mg); choque cardiogênico; fibrilação ventricular; e uma causa desconhecida (n = 3 no grupo glargina). Foram registrados eventos adversos graves em 27 (9%) pacientes do grupo de dulaglutida 1,5 mg, 44 (15%) no grupo de dulaglutida 0,75 mg, e 54 (18%) pacientes no grupo de glargina. Os eventos adversos mais comuns, decorrentes mais frequentemente da dulaglutida do que da glargina, foram náuseas, diarreia e vômitos.

 

Aplicações Práticas

Segundo esse interessante estudo randomizado, o inibidor de GLP-1, a Dulaglutida, em combinação com lispro resultou em uma melhora significativa do controle glicêmico em comparação com o uso de insulina do que glargina e representa uma nova opção de tratamento para pacientes incapazes de alcançar as metas glicêmicas com o tratamento com insulina convencional.

 

Bibliografia

Blonde L et al. Once-weekly dulaglutide versus bedtime insulin glargine, both in combination with prandial insulin lispro, in patients with type 2 diabetes (AWARD-4): A randomised, open-label, phase 3, non-inferiority study. Lancet 2015 May 23; 385:2057.

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