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Uso de CDI em pacientes pós Infarto Agudo do Miocárdio

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 30/11/2015

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Contexto Clínico

Pacientes com miocardiopatia dilatada isquêmica são fortes candidatos a morte súbita. Uma das poucas intervenções quanto a esse desfecho é o uso de cardioversores-desfibriladores implantáveis, ou CDIs. Porém, a recomendação é de que não sejam instalados em um prazo inferior a 40 dias após um agudo infarto do miocárdio (IAM).

Pouco se sabe sobre a rotina de uso e indicação desses dispositivos em pacientes elegíveis ao seu uso. Para elucidar essa questão foi realizado o estudo que apresentaremos a seguir e que procurou examinar as taxas de implante de CDI e mortalidade associadas entre pacientes idosos que sofreram IAM com baixa fração de ejeção de ventrículo esquerdo (FEVE).

 

O Estudo

Esse é um estudo retrospectivo observacional dos beneficiários do Medicare com um FEVE de 35% ou menos após um IAM, tratados em 441 hospitais dos Estados Unidos entre 2007 e 2010, excluindo os pacientes com implante de CDI antes disso.

Entre 10.318 doentes com IAM e FEVE de 35% ou menos, a taxa de implante de CDI acumulada em  um ano foi de 8,1% (n = 785). Os pacientes com implante de CDI foram mais propensos a ter procedimentos coronários prévios de revascularização (31% vs 20%; hazard ratio [HR] ajustado, 1,49; IC95%: 1,26-1,78), a ter níveis mais elevados de pico de troponina (mediana, 85 vs 51 vezes o limite superior do normal; HR ajustado, 1,02 por aumento de 10 vezes; IC95%: 1,01-1,03), choque cardiogênico intra-hospitalar (13% vs 8%; HR ajustado, 1,57; IC95%: 1,25-1,97) e seguimento com cardiologista dentro de duas semanas após a alta (30% vs 20%; HR ajustado, 1,64; 95% CI, 1,37-1,95) em relação aos pacientes que não receberam um CDI no prazo de um ano. Implantação de CDI foi associada com menor mortalidade em dois anos (15,3 eventos por 100 pacientes-ano [128 mortes em 838 doentes-ano] vs 26,4 eventos por 100 pacientes-ano [3.033 mortes em 11.479 doentes-ano]; HR ajustado de 0,64; 95% CI, 0,53-0,78).

 

  Aplicações Práticas

 O que esse estudo observacional demonstra claramente é que o uso de CDI ainda é baixo, sendo que apenas 1 em cada 10 pacientes elegíveis (pós IAM com FEVE abaixo de 35%) recebeu o implante, conforme indicação de diretrizes. Interessante, os que receberam o implante de CDI tiveram menor mortalidade em dois anos, mostrando o benefício da conduta. São necessárias pesquisas adicionais para determinar abordagens baseadas em evidências para aumentar o implante de CDI entre os pacientes elegíveis.

 

Bibliografia

Pokorney SD et al. Implantable Cardioverter-Defibrillator Use Among Medicare Patients With Low Ejection Fraction After Acute Myocardial Infarction. JAMA. 2015;313(24):2433-2440

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