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Valganciclovir para Citomegalovírus Congênito Sintomático

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 07/12/2015

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Contexto Clínico

O tratamento de doenças infecciosas congênitas é um grande desafio na área médica. Especificamente quanto ao tratamento de citomegalovírus congênito (CMV) com doença sintomática, o uso de ganciclovir intravenoso durante seis semanas já se mostrou como droga potencial  para melhorar os resultados audiológicos aos seis meses, mas esse benefício diminui ao longo do tempo. Sendo assim, é necessário saber se há alguma outra opção com melhores resultados.

 

O Estudo

Foi realizado um estudo randomizado, controlado por placebo de terapia valganciclovir em recém-nascidos com doença congênita por CMV sintomáticas, comparando seis meses de tratamento com seis semanas de tratamento. O desfecho primário avaliado foi a alteração auditiva na melhor orelha (audição "best-ear") a partir da linha de base em até seis meses. Os desfechos secundários incluíram a alteração na audição de linha de base para o acompanhamento aos 12 e 24 meses e os resultados do desenvolvimento neurológico, com cada ponto final ajustado para o envolvimento do sistema nervoso central no início do estudo.

Um total de 96 recém-nascidos foi submetido à randomização. Melhor audição de ouvido em seis meses foi semelhante no grupo de seis meses e do grupo seis semanas (dois e três participantes, respectivamente, apresentaram melhora, 36 e 37 não tiveram mudanças e cinco e três apresentaram piora; P = 0,41). O total de audição do ouvido (audição em uma ou em ambas as orelhas que poderiam ser avaliado) era mais provável que ficasse melhorado ou permanecesse normal aos 12 meses no grupo de seis meses de tratamento em comparação com o grupo de seis semanas (73% vs 57%, P = 0,01). O benefício na audição de ouvido total foi mantida com 24 meses (77% vs. 64%, P = 0,04). Aos 24 meses, o grupo de seis meses de tratamento, em comparação com o grupo de seis semanas, teve pontuação melhor no desenvolvimento neurológico sobre as Escalas Bayley de Desenvolvimento Infantil e da criança, terceira edição, (P = 0,004) e na escala receptivo-comunicação (P = 0,003). Neutropenia grau 3 ou 4 ocorreu em 19% dos participantes durante as primeiras seis semanas. Nos 4,5 meses subsequentes do estudo, neutropenia de grau 3 ou 4 ocorreu em 21% dos participantes no grupo de seis meses, e de 27% do que aqueles no grupo de seis semanas (P = 0,64).

 

Aplicações Práticas

        

Esse estudo é muito interessante por focar em uma área ainda que necessite de  melhores dados para balizar as decisões terapêuticas. Por esse ensaio randomizado, podemos concluir que o tratamento da doença congênita por CMV sintomática com valganciclovir por seis meses, em comparação com seis semanas, não melhorou a audição, em curto prazo, mas pareceu melhorar a audição pelo menos modestamente, em longo prazo.

 

Bibliografia

Kimberlin DW et al. Valganciclovir for Symptomatic Congenital Cytomegalovirus Disease. N Engl J Med 2015; 372:933-943

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