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Resultados de Longo Prazo em Reparo de Aneurisma de Aorta Abdominal

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 23/12/2015

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Contexto Clínico

Ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais têm mostrado que a morbidade e a mortalidade perioperatória são mais baixas com correção endovascular de aneurisma da aorta abdominal do que com cirurgia aberta, mas o benefício de sobrevida não é sustentado. Além disso, foram levantadas preocupações sobre o risco em longo prazo de ruptura do aneurisma ou a necessidade de reintervenção após o reparo endovascular.

 

O Estudo

Esse é um estudo observacional que avaliou sobrevida perioperatória e de longo prazo, reintervenções e complicações após correção endovascular em comparação com o reparo aberto de aneurisma de aorta abdominal. Foram identificados 39.966 pacientes que haviam sido submetidos a qualquer reparo aberto ou reparo endovascular nas bases de dados do Medicare nos EUA. A mortalidade perioperatória global foi de 1,6% com a correção endovascular contra 5,2% com reparo aberto (P <0,001). De 2001 até 2008, a mortalidade perioperatória diminuiu 0,8 pontos percentuais entre os pacientes que foram submetidos a tratamento endovascular (P = 0,001) e em 0,6 pontos percentuais entre os pacientes que se submeteram à cirurgia aberta (P = 0,01). A taxa de conversão de endovascular para reparo aberto diminuiu de 2,2% em 2001 para 0,3% em 2008 (P <0,001). A taxa de sobrevivência foi significativamente maior após o reparo endovascular do que após o reparo aberto durante os primeiros três anos de follow-up, tempo após o qual as taxas de sobrevivência foram semelhantes. Ao longo de oito anos de follow-up, as intervenções relacionadas com a gestão do aneurisma ou suas complicações foram mais comuns após o reparo endovascular, ao passo que as intervenções para complicações relacionadas à laparotomia foram mais comuns após o reparo aberto. Ruptura do aneurisma ocorreu em 5,4% dos pacientes após o tratamento endovascular versus 1,4% dos pacientes após o reparo aberto ao longo de oito anos de follow-up (P <0,001). A taxa do total de reintervenções em dois anos após o reparo endovascular diminuiu ao longo do tempo (de 10,4% entre os pacientes que foram submetidos a procedimentos em 2001 para 9,1% entre os pacientes que foram submetidos a procedimentos em 2007).

 

Aplicações Práticas

É muito interessante verificar os resultados desse estudo, principalmente do ponto de vista temporal. Como resultados gerais, notamos que o reparo endovascular de aneurisma da aorta abdominal, em comparação com o reparo aberto, foi associado com uma vantagem de sobrevivência inicial substancial, principalmente nos primeiros três anos, que diminuiu gradualmente ao longo do tempo. A taxa de ruptura tardia foi significativamente maior após o reparo endovascular do que após o reparo aberto. Os resultados da correção endovascular vêm aos poucos melhorando. Uma análise econômica ajudaria  a responder a questão sobre qual procedimento é a melhor opção. É possível que o procedimento endovascular, por conta da prótese, seja mais caro e já tenha resultados melhores nos primeiros anos. O problema é a comparação em longo prazo, mas talvez isso seja compensado ao longo do tempo com a melhora da tecnologia. Vamos aguardar e acompanhar esse desenvolvimento.

 

Bibliografia

Schermerhorn ML et al. Long-Term Outcomes of Abdominal Aortic Aneurysm in the Medicare Population. N Engl J Med 2015; 373:328-338

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