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Diferença em desfechos para cirurgia de quadril eletiva ou após fratura

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 13/01/2016

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Contexto Clínico

Já é sabido que pacientes que são submetidos à cirurgia para uma fratura de quadril têm um maior risco de mortalidade, além de maiores complicações em comparação a pacientes que são submetidos a uma operação eletiva de substituição total do quadril (STQ). Porém não se sabe se isso é mero efeito da situação de urgência, ou se idade avançada e comorbidades é que de fato aumentam esses riscos.

 

O Estudo

Foi realizado um estudo para determinar se havia uma diferença na mortalidade hospitalar entre os pacientes que se submeteram à cirurgia de fratura do quadril em relação a uma STQ eletiva, após ajuste para idade, sexo e comorbidades pré-operatórias.

Foi usado um banco de dados do Hospital Discharge Nacional da França, usando dados de janeiro de 2010 a dezembro de 2013. Foram selecionados para a análise pacientes com mais de 45 anos submetidos à cirurgia de quadril em hospitais franceses. Foram utilizados os códigos do CID-10 para determinar comorbidades e complicações dos pacientes após a cirurgia. A população foi pareada por idade, sexo e comorbidades pré-operatórias. Os principais resultados medidos foram mortalidade pós-operatória e intra-hospitalar.

Um total de 690.995 pacientes elegíveis foram incluídos a partir de 864 centros em França. Pacientes submetidos à cirurgia eletiva STQ (n = 371.191) eram mais jovens, mais comumente homens e tinham menos comorbidades comparados com os pacientes submetidos à cirurgia de fratura de quadril. Após a cirurgia de fratura de quadril (n = 319.804), 10.931 pacientes (3,42%) morreram antes da alta hospitalar e 669 pacientes (0,18%) faleceram após STQ eletiva. A análise multivariada das populações combinadas (n = 234.314) demonstrou um maior risco de mortalidade (1,82% para a cirurgia de fratura de quadril vs 0,31% para STQ eletiva; aumento do risco absoluto 1,51% [IC 95% 1,46% -1,55%]; risco relativo [RR]  de 5,88% [IC95% 5,26-6,58]; P <0,001) e das principais complicações pós-operatórias (5,88% para a cirurgia de fratura de quadril vs 2,34% para STQ eletiva; aumento do risco absoluto, 3,54% [IC95% 3,50% -3,59%]; RR de 2,50 [IC95% 2,40-2,62]; P <0,001) entre os pacientes submetidos à cirurgia de fratura de quadril.

 

Aplicações Práticas

Este grande estudo observacional francês fornece importantes informações. Nesta grande coorte, a cirurgia de fratura de quadril em comparação com a STQ eletiva foi associada a um maior risco de mortalidade intra-hospitalar após ajuste para idade, sexo e comorbidades medidas.

Mesmo não sendo resultado do estudo, fica nítido que o manejo clínico e os cuidados com esse perfil de paciente devem ser maiores durante a hospitalização. Não é possível afirmar, mas é possível imaginar que essa maior morbidade e mortalidade possam ocorrer por eventos adversos no pós-operatório. Sendo assim, é fundamental gerenciar esses casos para tentar obter um melhor resultado clínico.

 

Referências

Le Manach Y et al. Outcomes After Hip Fracture Surgery Compared With Elective Total Hip Replacement. JAMA. 2015;314(11): 1159-1166.

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