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Uso de Paracetamol para Febre em Pacientes Críticos

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 04/03/2016

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Contexto Clínico

A administração de paracetamol para controle de temperatura em pacientes com febre e infecção provável é uma intervenção frequente na comunidade e nos hospitais. Na unidade de terapia intensiva (UTI), tal tratamento é comum e baseia-se na lógica de que o estresse fisiológico causado pela febre pode ser prejudicial. Porém há falta de evidências que digam se a administração de antitérmico, no caso o paracetamol, é benéfico, ineficaz ou prejudicial.

 

O Estudo

Nesse estudo foram distribuídos aleatoriamente 700 pacientes de UTI com febre (temperatura corporal, >=38 ° C) e infecção suspeita ou conhecida para receber 1 g de paracetamol por via intravenosa (formulação não disponível no Brasil) ou placebo a cada seis horas até a alta da UTI, a resolução da febre, a cessação da terapia antimicrobiana, ou a morte. O desfecho primário foi dias fora da UTI (dias vivos e livres da necessidade de cuidados intensivos) desde a randomização até o dia 28.

O número de dias fora da UTI no dia 28 não difere  significativamente entre o grupo de paracetamol e o grupo placebo: 23 dias (intervalo interquartil, 13 a 25) entre os pacientes designados para o paracetamol e 22 dias (intervalo interquartil, 12 a 25) entre pacientes do grupo placebo (P = 0,07). Um total de 55 de 345 pacientes no grupo do paracetamol (15,9%) e 57 dos 344 pacientes do grupo de placebo (16,6%) morreram no dia 90 (risco relativo, 0,96; IC95%, 0,66 a 1,39; P = 0,84 ).

 

Aplicações Práticas

Pelo menos com base nesse estudo, a administração precoce de paracetamol para tratar a febre devido a uma infecção provável não afetou o número de dias fora da UTI, pelo menos do ponto de vista de tempo de internação, o controle de temperatura não parece ter qualquer efeito. Ainda faltam outras questões quanto a outros desfechos relacionados ao controle da febre e que ainda precisam ser respondidas. Ficaremos no aguardo de novas publicações.

 

Referências

Young P et al. Acetaminophen for Fever in Critically Ill Patients with Suspected Infection. N Engl J Med 2015; 373:2215-2224.

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