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Incidência de câncer de próstata e padrão de uso de PSA para rastreamento

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 11/03/2016

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Contexto Clínico

Recomendações para rastreamento de câncer de próstata com o antígeno prostático específico (PSA) mudaram substancialmente ao longo dos anos. Em 1992, a Associação Americana de Urologia (AUA) e a American Cancer Society (ACS) recomendaram o rastreio anual para os homens de 50 anos ou mais. Durante este tempo, o uso do PSA foi amplo e foi associado com o aumento da incidência de câncer de próstata. O Preventive Services Task Force (USPSTF) não recomendou o rastreamento com base no PSA para homens de 75 anos ou mais em 2008, depois estendendo essa recomendação para todos os homens em maio de 2012, concluindo que os benefícios do rastreio com base no PSA para câncer de próstata não compensam os danos. Essa decisão foi amplamente coberta pela mídia e debatida na literatura científica. Em contraste com a USPSTF, a AUA e ACS atualmente recomendam que o teste PSA seja oferecido aos homens assintomáticos com idade entre 55 a 69 anos (AUA) ou homens com mais de 50 anos com uma expectativa mínima de 10 anos de vida (ACS) e que após os pacientes recebam informações sobre os malefícios e benefícios associados como rastreamento.

Neste estudo que apresentaremos, foram examinadas as tendências na incidência de câncer de próstata em estágio específico e triagem com base no PSA para homens 50 anos ou mais velhos subsequentes às recomendações da USPSTF de 2008 e 2012.

 

O Estudo

Esse foi um estudo observacional ecológico sobre incidência de câncer de próstata em idade padronizada (casos recém-diagnosticados / 100.000 homens com idade >= 50 anos) por fase de 2005 a 2012, usando dados  de base populacional entre os homens de 50 anos ou mais sem histórico de câncer de próstata que responderam ao National Health Interview Survey (SNIS) dos EUA de 2005 (n = 4580), 2008 (n = 3476), 2010 (n = 4157) e 2013 (n = 6172 ). Os dados foram avaliados com base nas recomendações da USPSTF de omitir a triagem com base no PSA para homens de médio risco. A principal medida avaliada foi a incidência de câncer de próstata e razões de incidência (IRS) comparando anos consecutivos de 2005 a 2012 por idade (>=50, 50-74 e >= 75 anos).

A incidência de câncer de próstata por 100.000 homens com 50 anos ou mais (N = 446.009) foi de 534,9 em 2005, 540,8 em 2008, 505,0 em 2010 e 416,2 em 2012; as taxas começaram a diminuir em 2008 e a maior diminuição ocorreu entre 2011 e 2012, de 498,3 para 416,2. O número de homens de 50 anos e mais velhos diagnosticados com câncer de próstata em todo o país diminuiu em 33.519, de 213.562 homens em 2011 para 180.043 homens em 2012. Os declínios na incidência desde 2008 foram confinados a doença em estágio regional, local / e foram similares em todas as idades e  grupos de raça / etnia. O percentual de homens com 50 anos ou mais velhos que fizeram rastreio com PSA nos últimos 12 meses antes da pesquisa foi de 36,9% em 2005, 40,6% em 2008, 37,8% em 2010 e 30,8% em 2013. Em termos relativos, as taxas de rastreio aumentaram  10% entre 2005 e 2008 e, em seguida, diminuiu 18% entre 2010 e 2013. Padrões similares de rastreamento foram encontrados em subgrupos etários de 50 a 74 anos e 75 anos ou mais.

 

Aplicação Prática

Tanto a incidência de câncer de próstata em estágio inicial e taxas de rastreio com PSA caíram e coincidem com a recomendação de 2012 da USPSTF para omitir o uso do PSA nos cuidados primários de rotina para homens. Maior tempo de seguimento é necessário para ver se essas reduções estão associadas com as tendências da mortalidade.

 

Referências

Jemal A et al. Prostate Cancer Incidence and PSA Testing Patterns in Relation to USPSTF Screening Recommendations. JAMA. 2015;314(19):2054-2061.

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