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Tratamento da hipertensão em pacientes com apneia obstrutiva do sono

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 06/04/2016

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Contexto Clínico

A apneia obstrutiva do sono é caracterizada por cessações ou reduções de fluxo respiratório recorrente devido ao colapso das vias aéreas superiores durante o sono. A prevalência estimada de apneia obstrutiva do sono sintomática em países ocidentais é de 2% a 4%.

No entanto, a prevalência está aumentando devido aos níveis de obesidade nessas populações.  A condição está associada à dessaturação de oxigênio e despertares do sono, que podem levar ao aumento da pressão arterial (PA) e risco de doença cardiovascular.

A pressão positiva contínua (CPAP) pode ser um tratamento eficaz para melhorar os sintomas da apneia obstrutiva do sono, tais como sonolência diurna, e meta-análises têm mostrado que ela gera uma redução de cerca de 2 mm Hg na pressão arterial. 

Os tratamentos alternativos, muitas vezes usados por pacientes que não toleram CPAP, são dispositivos de avanço mandibular (MADS), que funcionam mantendo as vias aéreas abertas durante o sono.  A associação deste dispositivo com reduções na PA é menos clara.

Sendo assim, foi desenvolvida uma revisão para comparar a associação de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), dispositivos de avanço mandibular (MADS), e grupos de controle (placebo ou nenhum tratamento) com alterações na pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) em pacientes com apneia obstrutiva do sono, para tentar determinar qual a melhor terapêutica.

 

O Estudo

A revisão sistemática abrangeu dados do MEDLINE, EMBASE e Cochrane Library. Foram selecionados ensaios clínicos randomizados comparando o efeito do CPAP ou de assistência médica (versus os outros ou um controle inativo) na PA de pacientes com apneia obstrutiva do sono. De 872 estudos inicialmente identificados, 51 foram selecionados para análise.

Dos estudos incluídos na análise (total de 4888 pacientes), foram 44 de comparação de CPAP com um controle inativo, 3 de MADS em comparação com um controle inativo, 1 de CPAP em comparação com MADS, e 3 de comparação de CPAP, MADS, e controle inativo. Em comparação com um controle inativo, CPAP foi associado com uma redução na PAS de 2,5 mm Hg (IC95%  1,5 a 3,5 mm de Hg; P <0,001) e na PAD de 2,0 mm Hg (IC95% 1,3 a 2,7 mm Hg; P <0,001). Um aumento no uso de CPAP em média de uma hora por noite  foi associado com uma redução adicional da PAS de 1,5 mm Hg (IC95% 0,8-2,3 mm Hg; P <0,001) e uma redução adicional na PAD de 0,9 mm Hg (IC95% 0,3 para 1,4 mm Hg; P = 0,001). Em comparação com um controlo inativo, MADS foi associada com uma diminuição da PAS de 2,1 mm Hg (IC95% 0,8 a 3,4 mm Hg; P = 0,002) e na PAD de 1,9 mm Hg (IC95% 0,5 a 3,2 mm Hg; P = 0,008). Não houve diferença significativa entre CPAP e MADS em sua associação com a mudança da PAS (-0,5 mm Hg [IC 95% -2,0 a 1,0 mm Hg]; P = 0,55) ou na PAD (-0,2 mm Hg [IC95% -1,6 para 1,3 mm Hg]; P = 0,82).

 

Aplicações Práticas

Com essa metanálise baseada em uma revisão sistemática, podemos concluir que entre os pacientes com apneia obstrutiva do sono, tanto CPAP quanto MADS foram associados a reduções na PA. A meta-análise não identificou uma diferença estatisticamente significativa entre os resultados da queda de PA associada à essas terapias, ou seja, nenhuma parece ser melhor, portanto ambas são boas opções e deve-se discutir com o paciente o que ele prefere.

 

Referências

Bratton DJ et al. CPAP vs Mandibular Advancement Devices and Blood Pressure in Patients With Obstructive Sleep Apnea. A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA. 2015;314(21):2280-2293.

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