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Excesso de Mortalidade em Diabetes tipo 2

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 02/05/2016

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Contexto Clínico

Apesar de intuitivamente ligarmos o diabetes tipo 2 com mortalidade, a verdade é que não sabemos de fato os riscos de excesso de morte por qualquer causa e morte por causas cardiovasculares entre pessoas com diabetes tipo 2. Além disso, também não sabemos a relação entre os vários níveis de controle glicêmico e complicações renais. Neste estudo que apresentaremos foram feitas essas avaliações em pacientes com diabetes tipo 2.

 

O Estudo

Este foi um estudo observacional com pacientes portadores de diabetes tipo 2 que foram registrados  no Swedish National Diabetes Register (Suécia) após 1 de janeiro de 1998. Para cada paciente, cinco controles foram selecionados aleatoriamente da população em geral e combinados de acordo com idade, sexo e município. Todos os participantes foram acompanhados até 31 de dezembro de 2011, no Registro Sueco de Mortalidade-causa específica.

O tempo médio de acompanhamento foi de 4,6 anos no grupo de diabetes e de 4,8 anos no grupo de controle. No geral, 77.117 de 435.369 pacientes com diabetes (17,7%) morreram, em comparação com 306.097 de 2.117.483 controles (14,5%) (hazard ratio ajustado, 1,15; IC95%  1,14 a 1,16). A taxa de morte cardiovascular foi de 7,9% entre os pacientes diabéticos versus 6,1% entre os controles (hazard ratio ajustado 1,14; IC95% 1,13-1,15). Os riscos de excesso de morte por qualquer causa e morte cardiovascular aumentou com  idade mais jovem, pior controle glicêmico e maior gravidade de complicações renais. Em comparação com os controles, a razão de risco para morte por qualquer causa entre os pacientes com menos de 55 anos de idade que tinham um nível de hemoglobina glicada de 6,9% ou menos foi 1,92 (IC95%, 1,75 a 2,11); a taxa de risco correspondente entre os pacientes com 75 anos de idade ou mais foi de 0,95 (IC 95%, 0,94-0,96). Entre os pacientes com normoalbuminúria, a taxa de risco de morte entre os menores de 55 anos de idade com um nível de hemoglobina glicada de 6,9% ou menos, em comparação com os controles, foi de 1,60 (IC95%, 1,40-1,82); a taxa de risco correspondente entre os pacientes com 75 anos ou mais  foi de 0,76 (IC95% 0,75-0,78), e os pacientes de 65 a 74 anos de idade também apresentaram um risco significativamente menor de morte (hazard ratio 0,87; IC95% 0,84 para 0,91).

 

Aplicações Práticas

A mortalidade entre pessoas com diabetes tipo 2, em comparação com a da população em geral, pelo menos na Suécia, variou muito conforme  perfil de idade, controle glicêmico e complicações renais. No geral, riscos de excesso de morte por qualquer causa e morte cardiovascular aumentou com a idade mais jovem, pior controle glicêmico e maior gravidade de complicações renais. Porém isso não foi homogêneo em todas as demais análises, o que demonstra que ainda há mais necessidade de se aprofundar esses dados.

 

Referências

Tancredi M et al. Excess Mortality among Persons with Type 2 Diabetes. N Engl J Med 2015; 373:1720-1732.

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