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Clopidogrel e aspirina em pacientes com enxaqueca pós-fechamento de defeito de septo atrial

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 06/05/2016

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Contexto Clínico

A ocorrência de ataques de enxaqueca de início recente tem sido relatada em aproximadamente 15% dos pacientes que têm defeito do septo atrial (DSA) que passam por correção transcateter. A maioria dos episódios iniciais ocorre dentro dos dias ou semanas após o procedimento.

A terapia antitrombótica após fechamento do septo atrial permanece sendo feita de forma empírica, sendo comum a prescrição de aspirina por seis meses. Estudos retrospectivos observacionais sugerem uma associação com menor incidência e gravidade das enxaquecas após o fechamento do DSA quando a ticlopidina ou o clopidogrel é adicionado ao tratamento com aspirina. 

O objetivo desse estudo foi avaliar o efeito do clopidogrel associado à aspirina na prevenção da ocorrência e redução do número de episódios de enxaqueca após fechamento transcateter de DAS em pacientes sem história de enxaqueca prévia.

 

O Estudo

Esse foi um estudo randomizado, duplo-cego realizado em seis hospitais universitários no Canadá. Os participantes foram 171 pacientes com indicação de fechamento do DAS e sem histórico de enxaqueca. Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente (1: 1) para receber a terapia antiplaquetária dupla (aspirina + clopidogrel [grupo clopidogrel], n = 84) versus terapia antiplaquetária única (aspirina + placebo [grupo placebo], n = 87) durante três meses após fechamento transcateter da DSA.

O desfecho primário avaliado foi o número mensal de dias com enxaqueca dentro dos três meses seguintes ao fechamento do DSA em toda a população estudada. A incidência e a gravidade das crises de enxaqueca de início recente, avaliadas pelo questionário de Avaliação Deficiência Enxaqueca, foram pré-especificadas nos desfechos secundários.

A média (DP) de idade dos participantes foi de 49 anos e 62% eram mulheres. Os pacientes no grupo de clopidogrel tiveram uma média reduzida no número de dias de enxaqueca mensalmente no prazo de três meses após o procedimento (0,4 dias) versus o grupo de placebo (1,4 dias; diferença: -1.02 dias; taxa de risco incidente [TIR] 0,61; P = 0,04) e uma menor incidência de ataques de enxaqueca após o fechamento do DSA (9,5% para o grupo de clopidogrel versus 21,8% para o grupo do placebo; diferença, -12,3% odds ratio [OR], 0,38 [IC95% 0,15 - 0,89]; P = 0,03). Entre os pacientes com enxaqueca, aqueles no grupo de clopidogrel tiveram ataques menos severos de enxaqueca (zero pacientes com crise moderada ou gravemente incapacitante versus 37% [7 pacientes] no grupo placebo; diferença, -36,8% [IC95%, -58,5 a% -15,2%]; P = 0,046). Não houve diferenças entre os grupos na taxa de pacientes com, pelo menos, um evento adverso (16,7% [14 pacientes] no grupo de clopidogrel versus 21,8% [19] pacientes no grupo de placebo; diferença, -5,2% [IC95% -17% a 6,6%]; P = 0,44).

 

Aplicação Prática

Entre os pacientes que se submeteram ao fechamento transcateter de DSA, o uso de aspirina e clopidogrel, em comparação com aspirina isoladamente, resultou em uma frequência mensal mais baixa dos ataques de enxaqueca. Além disso, a associação de drogas gerou menor incidência de crises, além de diminuir a gravidade. A taxa de eventos adversos não foi significativamente diferente a ponto de contraindicar a conduta. Sendo assim, consideramos razoável adotar essa conduta. Obviamente, mais estudos são necessários para avaliar a generalização e a durabilidade desse efeito.

 

Referências

Rodés-Cabau J et al. Effect of Clopidogrel and Aspirin vs Aspirin Alone on Migraine Headaches After Transcatheter Atrial Septal Defect Closure. The CANOA Randomized Clinical Trial. JAMA. 2015;314(20):2147-2154.

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