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Revisão Sistemática sobre prevenção de dor lombar

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 25/05/2016

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Contexto Clínico

A dor lombar, ou lombalgia, é extremamente prevalente na sociedade moderna, e suas causas são multifatoriais, incluindo sedentarismo, sobrepeso, doenças degenerativas da coluna, questões psíquicas, entre outros itens. Como o tratamento muitas vezes é pouco eficaz, temos que dar grande importância às medidas de prevenção. Sendo assim, apresentaremos a seguir uma revisão sistemática feita para investigar a eficácia das intervenções para a prevenção da dor lombar.

 

O Estudo

Essa é uma revisão sistemática com metanálise feita em diversas bases de dados, que incluiu ensaios clínicos randomizados feitos com estratégias de prevenção para lombalgia não específica. Dois revisores independentes extraíram os dados e avaliaram o risco de viés.  O desfecho primário avaliado foi a ocorrência de um episódio de dor lombar e o desfecho secundário foi um episódio de licença causado por doença associada à dor lombar.

A pesquisa bibliográfica identificou 6.133 estudos potencialmente elegíveis; destes, 23 relatórios publicados (em 21 ensaios clínicos randomizados diferentes, incluindo 30.850 participantes) preencheram os critérios de inclusão. Com os resultados apresentados como Riscos Relativos - RR (IC95%) houve evidência de qualidade moderada de que o exercício combinado com a educação reduz o risco de um episódio de dor lombar (0,55 [0,41-0,74]) e evidência de baixa qualidade de nenhum efeito em licença médica (0,74 [0,44-1,26]). Provas de qualidade baixa a muito baixa sugeriram que o exercício sozinho pode reduzir o risco tanto do episódio de lombalgia (0,65 [0,50-0,86]) quanto a necessidade de licença médica (0,22 [0,06-0,76]). A educação por si só, com base em evidências de baixa qualidade, não tinha nenhum efeito sobre episódio de dor lombar (1,03 [0,83-1,27]) ou licença médica (0,87 [0,47-1,60]). Houve evidência de baixa qualidade quanto ao uso de cintas não reduzirem o risco de episódios de dor lombar (1,01 [0,71-1,44]) ou licença médica (0,87 [0,47-1,60]). Não havia evidências sobre o uso de palmilhas para evitar episódios de dor lombar (1,01 [0,74-1,40]).

 

Aplicações Práticas

Por essa metanálise, temos em mãos evidências que até então sugerem que o exercício físico sozinho ou em combinação com a educação são uma das poucas coisas eficazes para prevenir a dor lombar. Outras intervenções, incluindo a educação por si só, o uso de cintas e palmilhas de sapatos, não parecem impedir episódios de dor lombar. Outras possíveis intervenções sequer têm qualquer evidência, sendo assim, não podemos recomendar que sejam usadas. Sugerimos, então, exercícios associados a medidas educativas como opção de melhor senso a serem usadas para prevenção de lombalgia.

 

Referências

Steffens D, Maher CG, Pereira LM, et al. Prevention of Low Back Pain: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Intern Med. 2016;176(2):199-208. doi:10.1001/jamainternmed.2015.7431.

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