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Uso de oxigênio de alto fluxo para evitar reintubação

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 31/05/2016

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Contexto Clínico

A ventilação mecânica invasiva pode salvar vidas, mas oferece diversos riscos ao paciente. Nos últimos anos, cresceu o interesse em usar o oxigênio de alto fluxo (OAF) e ventilação não invasiva com pressão positiva (VNI) em vez de intubação e ventilação mecânica. Estudos de pacientes críticos sob ventilação mecânica, que combinam populações que estão em alto e baixo risco de reintubação sugerem que a cânula nasal com alto fluxo de oxigenoterapia após a extubação melhora a oxigenação em comparação com a terapia de oxigênio convencional. No entanto, faltam dados sobre impacto em reintubação.

 

O Estudo

Para determinar se a terapia de alto fluxo nasal com cânula de oxigênio é superior à oxigenioterapia convencional para prevenir reintubação em pacientes sob ventilação mecânica com baixo risco de reintubação, foi realizado um ensaio clínico randomizado multicêntrico em sete unidades de terapia intensiva (UTIs) na Espanha. Os participantes foram 527 pacientes adultos críticos com baixo risco de reintubação que preenchiam os critérios para extubação planejada. Baixo risco de reintubação foi definido como tendo menos de 65 anos; pontuação no APACHE II inferior a 12 no dia da extubação; índice de massa corporal inferior a 30; secreções em baixa quantidade; desmame simples; 0 ou 1 comorbidade; e ausência de insuficiência cardíaca, moderada a grave doença pulmonar obstrutiva crônica, problemas de permeabilidade nas vias aéreas e ventilação mecânica prolongada.

Os pacientes foram randomizados para submeter-se à oxigenioterapia em high-flow ou oxigenioterapia convencional por 24 horas após a extubação. O desfecho primário foi reintubação dentro de 72 horas. Os desfechos secundários incluíram insuficiência respiratória pós-extubação, infecção respiratória, sepse e falência de múltiplos órgãos, UTI e tempo de permanência hospitalar e mortalidade, eventos adversos e tempo para reintubação.

Os resultados  de 527 pacientes (idade média de 51 anos, 62% homens) foram que 264 receberam terapia de alto fluxo e 263 a oxigenioterapia convencional. Reintubação dentro de 72 horas foi menos comum no grupo de alto fluxo (13 pacientes [4,9%] vs 32 [12,2%] no grupo convencional; diferença absoluta, 7,2% [IC95%, 2,5% e 12,2%]; P = 0,004). Insuficiência respiratória pós-extubação foi menos comum no grupo de alto fluxo (22/264 pacientes [8,3%] vs 38/263 [14,4%] no grupo convencional; diferença absoluta, 6,1% [IC95%, 0,7% e 11,6%] ; P = 0,03). A hora de reintubação não foi significativamente diferente entre os grupos (19 horas [intervalo interquartil, 12-28] no grupo de alto fluxo vs 15 horas [intervalo interquartil, 9-31] no grupo convencional; diferença absoluta, -4 [IC95% -54 a 46]; P. = 0,66] Não foram reportados efeitos adversos.

 

Aplicações Práticas

Baixar custos em saúde e ainda conseguir bons resultados clínicos é um dos motivos de discussão sobre assistência e sustentabilidade. Aqui vemos um estudo que nos ajuda a racionalizar recursos. Pudemos observar que a extubação com uso de cateter nasal com oxigênio em alto fluxo baixa o risco de intubação quando em comparação com a oxigenioterapia convencional. Esse estudo dá respaldo para utilizarmos essa modalidade de oxigenioterapia em pós-extubação em pacientes de baixo risco para reintubação.

 

Referências

Hernández G et al. Effect of postextubation high-flow nasal cannula vs conventional oxygen therapy on reintubation in low-risk patients: A randomized clinical trial. JAMA 2016 Mar 15; [e-pub].

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