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Trimetoprim-Sulfametoxazol versus placebo em abscesso cutâneo não complicado

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 20/06/2016

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Contexto Clínico

Infecções cutâneas e de partes moles superficiais, notadamente os abscessos, geralmente causam poucas dúvidas de tratamento. Entretanto há realidades onde existe maior prevalência de Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (oxacilina), os famosos MRSA. E o papel dos antibióticos para os pacientes com um abscesso drenado não é clara.

 

O Estudo

Foi realizado um estudo randomizado em cinco departamentos de emergência dos EUA para determinar se sulfametoxazol-trimetoprim (em doses de 320 mg e 1600 mg, respectivamente, duas vezes por dia, durante sete dias) seria superior ao placebo em pacientes ambulatoriais com mais de 12 anos de idade que tinham um abscesso não complicado e que estavam sendo tratados com drenagem. O desfecho primário foi a cura clínica do abscesso, avaliada 7 e 14 dias após o final do período de tratamento.

A idade média dos participantes foi de 35 anos (variação de 14 a 73); 45,3% dos participantes tinham culturas da ferida que foram positivas para MRSA. Na avaliação por intenção de tratar, a cura clínica do abscesso ocorreu em 507 de 630 participantes (80,5%) no grupo sulfametoxazol-trimetoprim contra 454 de 617 participantes (73,6%) no grupo placebo (diferença de 6,9 pontos percentuais; IC95% 2,1-11,7; P = 0,005). Na avaliação por protocolo, a cura clínica ocorreu em 487 de 524 participantes (92,9%) no grupo sulfametoxazol-trimetoprim contra 457 de 533 participantes (85,7%) no grupo placebo (diferença de 7,2 pontos percentuais; IC95% 3,2 a 11,2; P <0,001). Sulfametoxazol-trimetoprim foi superior ao placebo no que diz respeito à maioria dos desfechos secundários na população por protocolo, resultando em menores taxas de procedimentos subsequentes para drenagem cirúrgica (3,4% vs. 8,6%; diferença de -5,2 pontos percentuais; IC95% -8,2 a -2,2), infecções da pele em novos locais (3,1% vs. 10,3%; diferença de -7,2 pontos percentuais; IC95% -10,4 a -4,1), e infecções nos membros das famílias (1,7% vs. 4,1%; diferença de -2,4 pontos percentuais, IC95% -4,6 a -0,2) 7 a 14 dias após o período de tratamento. Sulfametoxazol-trimetoprim foi associado com mais efeitos gastrointestinais colaterais (principalmente leves). De 7 a 14 dias após o período de tratamento, infecções invasivas tinham se desenvolvido em 2 de 524 participantes (0,4%) no grupo de trimetoprim-sulfametoxazol e em 2 de 533 participantes (0,4%) no grupo de placebo; em 42 a 56 dias após o período de tratamento, uma infecção invasiva tinha se desenvolvido em um participante (0,2%) no grupo de trimetoprim-sulfametoxazol.

 

Aplicações Práticas

Apesar de parecer um estudo sobre um assunto simples, ele fornece um dado bastante interessante. Pelo menos considerando ambiente onde há maior prevalência de S. Aureus MRSA, o tratamento de abscessos drenados com sulfametoxazol-trimetoprim resultou em uma maior taxa de cura entre os pacientes do que o placebo. Como normalmente não utilizamos antibióticos quando há drenagem simples de abscessos cutâneos, esse estudo dá subsídio para acoplar o antibiótico quando há maior chance de bactérias resistentes aos  beta-lactâmicos.

 

Referências

Talan DA et al. Trimethoprim–Sulfamethoxazole versus Placebo for Uncomplicated Skin Abscess. N Engl J Med 2016; 374:823-832.

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