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Controle de Frequência ou Ritmo em FA pós-cirurgia cardíaca

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 27/07/2016

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Contexto Clínico

A fibrilação atrial após cirurgia cardíaca está associada com aumento das taxas de mortalidade, complicações e hospitalizações. Em pacientes com fibrilação atrial pós-operatória que estão em condição estável, a melhor estratégia de tratamento inicial - o controle da frequência cardíaca ou o controle do ritmo - permanece controverso.

 

O Estudo

Este foi um estudo em que pacientes com desenvolvimento de nova fibrilação atrial pós-operatória foram aleatoriamente designados para submeter-se a controle de frequência ou o controle do ritmo. O desfecho primário foi o número total de dias de hospitalização em até 60 dias após a randomização.

Fibrilação atrial ocorreu em 695 dos 2.109 pacientes (33,0%) que foram inscritos no pré-operatório; destes pacientes, 523 foram submetidos à randomização. O número total de dias de hospitalização no grupo de controle da frequência e do grupo-controle do ritmo foi semelhante (mediana de 5,1 dias e 5,0 dias, respectivamente, p = 0,76). Não houve diferenças significativas entre os grupos nas taxas de morte (P = 0,64) ou eventos adversos graves (24,8 por 100 pacientes-mês no grupo de controle da frequência e 26,4 por 100 pacientes-mês no grupo de controle do ritmo, P = 0,61), incluindo eventos tromboembólicos e eventos hemorrágicos. Cerca de 25% dos pacientes de cada grupo se desviou da terapia atribuída, principalmente por causa da ineficácia da droga (no grupo de controle da frequência) ou efeitos colaterais da amiodarona ou reações adversas medicamentosas (no grupo de controle do ritmo).

Aos 60 dias, 93,8% dos pacientes no grupo de controle da frequência e 97,9% daqueles no grupo de controle do ritmo tinham um ritmo cardíaco estável sem fibrilação atrial nos últimos 30 dias (P = 0,02), e 84,2% e 86,9%, respectivamente, tinham ficado livres de fibrilação atrial (P = 0,41).

 

Aplicações Práticas

Mais uma vez temos uma situação onde não há uma opção melhor. As estratégias para controle de frequência e controle do ritmo para tratar a fibrilação atrial em pós-operatório de cirurgia cardíaca foram associados com o mesmo número de dias de internação, com taxas de complicações semelhantes, assim como igualmente baixos índices de fibrilação atrial persistente 60 dias após o início da randomização. Nem uma estratégia de tratamento mostrou uma vantagem clínica sobre a outra. Sendo assim, fica a critério do médico, em discussão com seu paciente, em optar por uma ou outra alternativa.

 

Referências

Gilinov AM et al . Rate Control versus Rhythm Control for Atrial Fibrillation after Cardiac Surgery. N Engl J Med 2016; 374:1911-1921.

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