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Papel dos antidepressivos em crianças e adolescentes com depressão

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 14/09/2016

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Contexto Clínico

O transtorno depressivo maior é um dos transtornos mentais mais comuns em crianças e adolescentes. No entanto, não se sabe se vale à pena usar intervenções farmacológicas nesta população e qual droga deve ser preferida.

 

O Estudo

Foi feita uma metanálise para identificar as evidências diretas e indiretas de ensaios clínicos relevantes. Foram pesquisados PubMed, Cochrane Library, Web of Science, Embase, CINAHL, PsycINFO, Lilacs e sites das agências reguladoras e os registos internacionais para identificar ensaios clínicos randomizados publicados e não publicados até 31 de maio de 2015 para o tratamento agudo de transtorno depressivo maior em crianças e adolescentes.

Foram incluídos ensaios com amitriptilina, citalopram, clomipramina, desipramina, duloxetina, escitalopram, fluoxetina, imipramina, mirtazapina, nefazodona, nortriptilina, paroxetina, sertralina e venlafaxina. Foram excluídos os ensaios com participantes com depressão resistente ao tratamento, com duração do tratamento por menos do que 4 semanas, ou uma dimensão global da amostra de menos de dez pacientes.

Os resultados primários avaliados foram a eficácia (alteração nos sintomas depressivos) e tolerabilidade (interrupção do tratamento devido a eventos adversos).

Foram considerados 34 estudos elegíveis, incluindo 5.260 participantes e 14 tratamentos antidepressivos. A qualidade da evidência foi classificada como muito baixa na maioria das comparações. Em termos de eficácia, apenas a fluoxetina foi significativamente mais eficaz do que o placebo (diferença média padronizada -0,51, IC95% -0,99 a -0,03). Em termos de tolerabilidade, a fluoxetina foi também melhor do que a duloxetina (OR 0,31, IC95% 0,13-0,95) e a imipramina (OR 0,23, IC95% 0,04-0,78). Pacientes que receberam imipramina, venlafaxina e duloxetina tiveram mais interrupções devido a eventos adversos do que aqueles que receberam placebo (OR 5,49, IC95% 1,96-20,86; OR 3,19, IC95% 1,01 a 18,70; e OR 2,80, IC95% 1,20-9,42, respectivamente).

 

Aplicação Prática

Infelizmente esta metanálise traz dados bastante restritivos em termos de opções terapêuticas para depressão em crianças e adolescentes. Para o tratamento agudo da depressão maior, a maioria das drogas não parece oferecer uma vantagem clara, gerando muitos eventos adversos. A fluoxetina é provavelmente a melhor opção a considerar quando um tratamento farmacológico é indicado.

Estes resultados fornecem pouco apoio para a administração de antidepressivos durante a infância. No futuro, talvez, biomarcadores personalizados identificarão  pacientes que podem se beneficiar de antidepressivos.

 

Referências

Cipriani A et al. Comparative efficacy and tolerability of antidepressants for major depressive disorder in children and adolescents: A network meta-analysis. Lancet 2016 Jun 7; [e-pub]

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