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Tempo de Estocagem e Mortalidade Pós Transfusão

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 18/01/2017

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Contexto Clínico

Estudos randomizados e controlados sugerem que a transfusão de sangue após armazenamento prolongado não aumenta o risco de resultados adversos entre os pacientes. Entretanto, a maioria desses ensaios é restrita a populações de alto risco, e não foi elaborada para detectar diferenças na mortalidade que, apesar de pequenas, são clinicamente significativas.

 

O Estudo

Este é um estudo randomizado, controlado, feito em seis hospitais em quatro países, que distribuiu, de forma aleatória, pacientes que necessitavam de transfusão de hemácias para receber sangue armazenado por pouco tempo (grupo de armazenamento de curto prazo) ou por tempo mais longo (grupo de armazenamento de longo prazo) em uma proporção de 1:2.

Somente os pacientes com sangue tipo A ou tipo O foram incluídos na análise primária, uma vez que a duração média de armazenamento de sangue de, pelo menos, 10 dias não seria possível com outros tipos sanguíneos. O desfecho primário foi a mortalidade intra-hospitalar, estimada por meio de um modelo de regressão logística após ajuste para centro de estudo e tipo de sangue do paciente.

De abril de 2012 até outubro de 2015, um total de 31.497 pacientes foram submetidos à randomização. Desses indivíduos, 6.761 que não preenchiam todos os critérios de inclusão foram excluídos após a randomização. A análise primária incluiu 20.858 pacientes com sangue tipo O ou tipo A. Desses, 6.936 foram designados para o grupo de armazenamento de curto prazo e 13.922, para o grupo de armazenamento de longo prazo. A duração de armazenagem média foi de 13,0 dias no primeiro grupo e de 23,6 dias no segundo.

Houve 634 mortes (9,1%) no grupo de armazenamento de curto prazo e 1.213 (8,7%) no grupo de armazenamento de longo prazo (OR = 1,05; IC 95%, 0,95-1,16; P = 0,34). Quando a análise foi expandida para incluir os 24.736 indivíduos com qualquer tipo de sangue, os resultados foram semelhantes, com taxas de mortalidade de 9,1% e 8,8%, respectivamente (OR = 1,04; IC 95%, 0,95-1,14; P = 0,38). Resultados adicionais foram consistentes em três subgrupos pré-especificados de alto risco (pacientes submetidos a cirurgia cardiovascular; pacientes admitidos para os cuidados intensivos; pacientes com câncer).

 

Aplicação Prática

 

Com base nesse estudo, pôde-se constatar que, entre pacientes de população geral de hospitais, não houve diferença significativa na taxa de morte entre os submetidos à transfusão com o sangue armazenado por um tempo breve e os que receberam sangue após armazenamento prolongado. Logo, conclui-se que não é necessário realizar política ou sistema de prevenção de riscos relacionados à transfusão que sejam pertinentes ao tempo de estocagem do sangue.

 

Bibliografia

 

Heddle NM et al.  Effect of Short-Term vs. Long-Term Blood Storage on Mortality after Transfusion. October 24, 2016DOI: 10.1056/NEJMoa1609014.

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