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Ácido Tranexamico em Revascularizaçao Miocardica

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 24/01/2017

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Contexto Clínico

O ácido tranexâmico reduz o risco de sangramento em pacientes submetidos a cirurgia cardíaca, mas não está claro se isso leva a melhores resultados. Além disso, há preocupações de que o ácido tranexâmico possa ter efeitos pró-trombóticos e pró-convulsivantes.

 

 O Estudo

Este é um estudo que randomizou pacientes que foram programados para se submeter à cirurgia da artéria coronária e estavam em risco de complicações peri-operatórias para receber aspirina ou placebo e ácido tranexâmico ou placebo. Neste estudo mostraremos o resultado da parte do estudo voltada ao ácido Tranexâmico. O desfecho primário foi um composto de morte e complicações trombóticas (infarto do miocárdio não fatal, acidente vascular cerebral, embolia pulmonar, insuficiência renal, ou infarto do intestino) dentro de 30 dias após a cirurgia.

Dos 4662 pacientes que foram inscritos e forneceram consentimento, 4631 foram submetidos a cirurgia; 2.311 foram designados para o grupo de ácido tranexâmico e 2.320 para o grupo do placebo. Um evento primário ocorreu em 386 doentes (16,7%) no grupo de ácido tranexâmico e em 420 doentes (18,1%) no grupo placebo (risco relativo 0,92; IC95%, 0,81-1,05; P = 0,22). O número total de unidades de produtos derivados de sangue que foram transfundidos durante a hospitalização foi 4,331 no grupo ácido tranexâmico e 7,994 no grupo de placebo (P <0,001). Hemorragia maior ou tamponamento levando a reoperação ocorreu em 1,4% dos pacientes no grupo do ácido tranexâmico e em 2,8% dos pacientes no grupo de placebo (P = 0,001), e as convulsões ocorreram em 0,7% e 0,1% dos pacientes dos grupos, respectivamente (P = 0,002).

 

Aplicação Prática

 

Este estudo que foi desenhado para verificar ocorrência de eventos primários (incluindo morte e complicações trombóticas). Quanto a este quesito, não houve diferenças entre os pacientes que receberam ácido Tranexâmico ou placebo. Entretanto,  entre os pacientes submetidos a cirurgia da artéria coronária, o ácido tranexâmico foi associada com um menor risco de hemorragia e consequentemente com menor uso de bolsas de hemoderivados do que o placebo. Como isso ocorreu sem aumentar o risco de complicações trombóticas no prazo de 30 dias após a cirurgia, parece haver vantagem no uso desta medicação. Há que se pesar que  o ácido tranexâmico foi associada a um maior risco de convulsões pós-operatórias.

 

 

 

Bibliografia

 

Myles PS et al. Tranexamic Acid in Patients Undergoing Coronary-Artery Surgery. October 23, 2016DOI: 10.1056/NEJMoa1606424.

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