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Necessidade de Tomografia de Crânio para Intoxicação Alcóolica no PS

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 10/03/2017

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Contexto Clínico

Os pacientes que se apresentam ao departamento de emergência com estado mental alterado e intoxicação alcoólica podem ser semelhantes, clinicamente, a indivíduos com hemorragia intracraniana. Embora esta possa ser excluída de imediato com a realização de uma tomografia computadorizada de crânio (TCC), é uma prática comum adiar o exame até que o paciente tenha metabolizado o álcool e melhorado o nível de consciência, minimizando a necessidade do exame e da exposição à radiação ? isso sem considerar a questão do custo para o sistema de saúde. Entretanto, essa prática pode levar ao atraso do diagnóstico de uma condição grave.

 

O Estudo

Este é um estudo observacional, retrospectivo, que avaliou prontuários de pacientes clinicamente intoxicados por álcool. Foram determinados o momento em que foi solicitada a TCC e os achados no exame de imagem, bem como foram avaliados os resultados. Os pacientes foram avaliados em 3 grupos, considerando o tempo em que fizeram a TCC: em até 1h da triagem; entre 1?3h após a triagem; após 3h da triagem. Durante o período de estudo, 5.943 indivíduos foram incluídos. Desses, nenhum paciente digitalizado em menos de 3h apresentou achados intracranianos em imagens que exigissem a presença de um neurocirurgião, ao passo que um paciente com TCC diferida teve necessidade de uma intervenção neurocirúrgica, a qual, entretanto, não foi realizada de forma emergencial.

 

Aplicação Prática

 

A partir desse estudo, pode-se dizer que a TCC de rotina de pacientes intoxicados por álcool, com estado mental alterado, é de pouco valor clínico. Adiar a TCC enquanto se monitora a melhoria do estado clínico parece ser uma prática segura. Todavia, se o paciente persistir com os sintomas por muito tempo, é recomendado realizar a TCC. Ressalva-se, entretanto, que este é apenas um estudo observacional retrospectivo, e não um ensaio randomizado. Logo, as evidências para se recomendar a TCC não são claras. Por ora, parece razoável seguir a lógica proposta.

 

Bibliografia

 

Granata RT et al. Safety of deferred computed tomographic imaging of intoxicated patients presenting with possible traumatic brain injury. Am J Emerg Med 2016 Sep 30; [e-pub].

 

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