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Avaliação de Cuidados Paliativos Fora do Hospital

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 12/04/2017

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Contexto Clínico

Tradicionalmente, os hospitais são considerados pontos de identificação e avaliação de pacientes com necessidade de cuidados paliativos. Entretanto, nem sempre as coisas funcionam dessa forma. No sul da Califórnia, é oferecido um programa de cuidados paliativos proativo financiado e operado por um sistema de saúde para beneficiários do Medicare Advantage. Os cuidados paliativos são realizados, nesse sistema, de forma proativa em ambientes ambulatoriais e de base comunitária, abrangendo uma variedade de doenças progressivas que limitam a vida.

 

O Estudo

Os indivíduos do presente estudo receberam a intervenção entre 2007 e 2014 (n = 368) e foram combinados com 1.075 indivíduos para comparação dentro de cada um dos quatro grupos, classificados de acordo com a doença: câncer, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), insuficiência cardíaca (IC) e demência. Todos os pacientes estavam mortos no momento do estudo retrospectivo, e tinham sido beneficiários do Medicare Advantage com, pelo menos, 2 anos de dados de uso antes da morte. A idade média no momento da morte, para cada grupo de doença, foi de mais de 80 anos. O serviço de cuidados paliativos era fornecido por uma equipe multidisciplinar de forma domiciliar e em clínicas.

Os resultados avaliados incluíram custos hospitalares, entre outros gastos de saúde, taxas de readmissão, internações hospitalares e dias de internação, uso de unidade de terapia intensiva nos últimos 30 dias de vida e morte dentro de 30 dias após a admissão. Os participantes da intervenção nos quatro grupos de doenças tiveram menos uso hospitalar e menores custos hospitalares do que os participantes que não sofreram a intervenção, o que levou à redução dos custos globais de saúde. Nos últimos 6 meses de vida, os custos de saúde para os grupos de intervenção permaneceram basicamente os mesmos de mês para mês, ao passo que os custos para os participantes da comparação aumentaram de forma drástica.

Para cada doença, os custos hospitalares e os custos totais por mês foram menores para os participantes do estudo (todos P =002). Para três dos quatro grupos de doenças, não houve uma diferença significativa nos custos não hospitalares (P = 32 para câncer; P = 08 para DPOC; P = 09 para IC). Para cada doença, a porcentagem de participantes hospitalizados e o número de dias de hospitalização daqueles que receberam cuidados paliativos foram menores em relação ao grupo de controle (todos P =001).

Para cada doença, quem recebeu a intervenção, em comparação com o grupo de controle, teve menor porcentagem de admissões nos últimos 30 dias de vida (P <001), menor uso de unidade de cuidados intensivos nos últimos 30 dias de vida (P <001) e menor chance de morrer no hospital (P <001). A taxa de readmissão média nos últimos 30 dias foi menor para os participantes com DPOC (P = 0,005), IC (P <0,001) e demência (P = 0,01), mas não para aqueles com câncer (P = 0,08).

Os participantes foram menos propensos a serem internados no hospital durante o período de avaliação e nos últimos 30 dias de vida. O custo dos cuidados hospitalares para os participantes foi uma fração do custo do grupo de comparação. Por exemplo, a despesa para cada participante, por mês, para os cuidados hospitalares para aqueles com demência foi de US$ 885 e de US$ 3.575 para os de comparação.

 

Aplicação Prática

 

No contexto de um modelo alternativo de pagamento em que o prestador assumia “o risco” de suportar os custos dos cuidados, um programa de cuidados paliativos proativo ajudou a evitar a escalada de uso hospitalar e os custos nos últimos meses de vida. Esses resultados demonstram um retorno razoável sobre o investimento para os sistemas de saúde em risco de custos de saúde.

Os sistemas de saúde de comunidade que não podem arcar com os recursos necessários para estudos prospectivos e randomizados podem adotar os métodos retrospectivos, como neste estudo, para validar seus dados. De todo modo, o alerta do presente estudo é a importância de se ter um programa de cuidados paliativos ambulatorial.

 

 

Bibliografia

Brian Cassel J et al. Effect of a home-based palliative care program on healthcare use and costs. J Am Geriatr Soc 2016 Nov; 64:2288

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