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Hipotermia Terapêutica e Sobrevida de PCR Intra-hospitalar

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 18/04/2017

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Contexto Clínico

A hipotermia terapêutica é utilizada com pacientes pós-parada cardíaca, tanto na extra-hospitalar quanto na intra-hospitalar. No entanto, não existem estudos randomizados sobre a sua eficácia para o ajuste intra-hospitalar, e os dados de eficácia comparativa são limitados. O presente estudo buscou avaliar a associação entre a hipotermia terapêutica e a sobrevivência após a parada cardíaca intra-hospitalar.

 

O Estudo

Neste estudo de coorte, foram usados dados de 26.183 pacientes ressuscitados com sucesso a partir de uma parada cardíaca intra-hospitalar entre 1/03/02 e 31/12/14, os quais foram tratados ou não com hipotermia pós-parada, em um universo de 355 hospitais dos EUA. O desfecho primário avaliado foi a sobrevida na alta hospitalar. O resultado secundário foi a sobrevivência neurológica favorável, definida como uma pontuação cerebral na categoria de desempenho de 1 ou 2 (isto é, sem incapacidade neurológica grave). As comparações foram realizadas utilizando-se uma análise de escore de propensão combinado e examinado para todas as paradas cardíacas e separadamente para ritmos não chocáveis (assistolia e atividade elétrica sem pulso) e ritmos passíveis de choque (fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso).

 

Um total de 1.568 de 26.183 pacientes com parada cardíaca intra-hospitalar (6,0%) foi tratado com hipotermia terapêutica; 1.524 desses pacientes (idade média [SD] 61,6 [16,2] anos; 58,5% do sexo masculino) foram pareados por escore de propensão com 3.714 pacientes tratados sem hipotermia (idade média [SD] 62,2 [17,5] anos; 57,1% do sexo masculino). Após o ajuste, a hipotermia terapêutica foi associada a menor sobrevida hospitalar (27,4 versus 29,2%; risco relativo [RR], 0,88 [IC 95%, 0,80?0,97]; diferença de risco ? 3,6% [IC 95%, ?6.3 a ?0,9%]; P =0,01), e essa associação foi semelhante (interação P ?= 0,74) para os ritmos não chocáveis de parada cardíaca (22,2 versus 24,5%; RR, 0,87 [IC 95%, 0,76?0,99]; diferença de risco, ?3,2% [IC 95%, ?6,2 a ?0,3%]) e para ritmos chocáveis de parada cardíaca (41,3 versus 44,1%; RR, 0,90 [IC 95%, 0,77?1,05]; diferença de risco, ?4.6% [IC 95%, ?10,9 a 1,7%]). A hipotermia terapêutica também foi associada com menores taxas de sobrevivência neurológica favorável para a coorte geral (grupo tratado com hipotermia: 17,0% [246 de 1.443 pacientes]; grupo não tratado com hipotermia: 20,5% [725 de 3.529 pacientes]; RR, 0,79 [IC 95% 0,69?0,90]; diferença de risco, ?4,4% [IC 95%, ?6,8 a ?2,0%]; P ?<.001) e para os dois tipos de ritmo (interação P ?= 0,88).

 

 

Aplicação Prática

 

Neste estudo observacional, entre pacientes com parada cardíaca intra-hospitalar, o uso de hipotermia terapêutica em comparação com o cuidado usual foi associado a uma menor probabilidade de sobrevivência na alta hospitalar e a uma menor probabilidade de sobrevivência neurológica favorável. Essas descobertas observacionais justificam um ensaio clínico randomizado para avaliar a eficácia da hipotermia terapêutica em caso de parada cardíaca intra-hospitalar, já que pode ter havido um viés de seleção de pacientes mais graves que porventura tenham sido colocados em hipotermia. Por ora, resta a dúvida se, de fato, essa conduta é benéfica na parada intra-hospitalar e, em caso positivo, se há critérios mais direcionados de elegibilidade.

 

Bibliografia

Chan PS et al. Association between therapeutic hypothermia and survival after in-hospital cardiac arrest. JAMA 2016 Oct 4; 316:1375.

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