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Limiar de Tratamento para Aneurisma de Aorta Abdominal nos EUA e Inglaterra

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 17/05/2017

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Contexto Clínico

 

A despeito de o aneurisma de aorta abdominal ser uma doença grave e bastante estudada, não há um consenso no que diz respeito ao tratamento. Os limiares para a reparação de aneurismas da aorta abdominal variam consideravelmente de um país para o outro. Procedimentos como entender o perfil de tratamento, seus resultados e, então, compará-los podem fornecer pistas de qual é a melhor conduta a ser adotada.

 

 

O Estudo

 

Este é um estudo observacional, em que foram examinados, na Inglaterra e nos EUA, a frequência de correção de aneurisma de aorta abdominal, o diâmetro do aneurisma médio no momento do procedimento, bem como as taxas de ruptura do aneurisma e morte relacionada à doença.

Os dados sobre a frequência de reparação de aneurismas intactos (não rotos) da aorta abdominal, a mortalidade hospitalar entre os pacientes que tiveram correção de aneurisma sofrido e as taxas de ruptura do aneurisma durante o período de 2005 a 2012 foram extraídos do banco de dados de estatística do Hospital Episode Statistics, na Inglaterra, e da amostra Nationwide Inpatient Sample dos EUA.

As informações sobre o diâmetro do aneurisma no momento da reparação foram extraídas do National Vascular Registry do Reino Unido (dados de 2014) e do programa denominado The National Surgery Quality Improvement Project, EUA (dados de 2013). A relação de aneurismas com mortalidade durante o período de 2005 a 2012 foi determinada a partir de dados dos Centers for Disease Control and Prevention (EUA) e do Office for National Statistics (Inglaterra).

Durante o período de 2005 a 2012, um total de 29.300 indivíduos na Inglaterra e de 278.921 nos EUA foi submetido à correção de aneurisma da aorta abdominal não roto. A correção do aneurisma foi menos comum na Inglaterra do que nos EUA (OR, 0,49; IC 95%: 0,48?0,49; P <0,001), e a incidência de morte relacionada com o aneurisma foi mais comum na Inglaterra do que nos EUA (OR, 3,60; IC 95%: 3,55?3,64; P<0,001).

Casos de hospitalização devido a uma rotura do aneurisma foram mais frequentes na Inglaterra do que nos EUA (OR, 2,23; IC 95%: 2,19?2,27; P <0,001), e o diâmetro médio do aneurisma, no momento da reparação, foi maior na Inglaterra do que nos EUA (63,7mm x 58,3mm, P <0,001).

 

Aplicação Prática

 

Este estudo observacional mostra que, na Inglaterra, a condução do aneurisma da aorta abdominal não roto é mais conservadora, com a realização de menos cirurgias ? estas ocorrendo com maiores diâmetros de aneurisma. Por outro lado, as taxas de rotura do aneurisma e morte relacionada com o aneurisma foram menores nos EUA.

Obviamente, este é um estudo observacional e retrospectivo sujeito a vieses; todavia, recomenda-se observar os resultados e discutir a hipótese de que pode ser mais benéfico intervir mais em aneurisma da aorta abdominal. Para um posicionamento definitivo, entretanto, é necessário um ensaio clínico randomizado bem elaborado.

 

Bibliografia

 

Karthikesalingam A et al. Thresholds for Abdominal Aortic Aneurysm Repair in England and the United States. N Engl J Med 2016; 375:2051-2059

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