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Inibidor de Calicreína na Profilaxia de Angioedema Hereditário

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 01/06/2017

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Contexto Clínico

O angioedema hereditário com deficiência de inibidor de C1 caracteriza-se por episódios de edema recorrentes e imprevisíveis causados pela geração descontrolada de calicreína plasmática e liberação excessiva de bradicinina. O lanadilumabe (DX-2930) é um novo inibidor de calicreína com potencial para tratamento profilático de angioedema hereditário com deficiência de inibidor de C1.

 

O Estudo

Realizou-se um estudo multicêntrico, duplo-cego, placebo-controlado. Os portadores de angioedema hereditário com deficiência de inibidor de C1 foram randomizados em uma proporção de 2:1 para receber lanadalumabe (24 pacientes) ou placebo (13 pacientes), em duas administrações com 14 dias de intervalo. Os doentes que receberam lanadelumabe foram recrutados em grupos de dose sequencial: dose total de 30mg (4 pacientes), de 100mg (4 pacientes), de 300mg (5 pacientes) ou de 400mg (11 pacientes).

O perfil farmacodinâmico do lanadilumabe foi avaliado através da medição dos níveis plasmáticos de cininogênio de alto peso molecular clivado, e a eficácia foi avaliada pela taxa de ataques de angioedema durante um período pré-especificado (dia 8 a dia 50) nas doses de 300mg e 400mg em comparação com o grupo placebo. Não ocorreram descontinuações devido a eventos adversos, eventos adversos graves ou mortes em doentes que receberam lanadelumabe.

Os eventos adversos mais comuns que surgiram durante o tratamento foram ataques de angioedema, dor no local da injeção e cefaleia. Observou-se um aumento proporcional à dose nas concentrações séricas de lanadelumabe; a meia-vida de eliminação média foi de, aproximadamente, 2 semanas. O lanadilumabe, na dose de 300mg ou 400mg, reduziu a clivagem de cininogênio de elevado peso molecular no plasma de doentes com angioedema hereditário com deficiência de inibidor de C1 a níveis próximos dos pacientes sem o distúrbio.

Do dia 8 ao dia 50, os grupos de 300mg e 400mg apresentaram ataques 100 e 88% menos, respectivamente, em comparação com o grupo placebo. Todos os pacientes no grupo de 300mg e 82% dos pacientes (9 de 11) no grupo de 400mg ficaram livres de ataque, em comparação com 27% (3 de 11) no grupo placebo.

 

Aplicação Prática

Com base nesse singelo ensaio clínico (a despeito de ser uma população-alvo pequena), a administração de lanadelumabe em portadores de angioedema hereditário com deficiência de inibidor C1 reduziu a clivagem de cininogênio de elevado peso molecular e diminuiu os ataques de angioedema. Apesar de ser um estudo financiado pela indústria, trata-se de uma doença rara, e esse primeiro ensaio clínico poderá, ainda, servir de base para estratégias de prevenção de crises que impactam na qualidade de vida dos pacientes ou representam riscos graves para a população afetada.

 

 

Bibliografia

Banerji A et al. Inhibiting Plasma Kallikrein for Hereditary Angioedema Prophylaxis. N Engl J Med 2017; 376:717-728.

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