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Risco Genético e Estilo de Vida no Desenvolvimento de Doença Coronariana

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 17/07/2017

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Contexto Clínico

Tanto os fatores genéticos quanto o estilo de vida contribuem para o risco individual de doença arterial coronariana. Não se sabe, ainda, em que medida um estilo de vida saudável pode compensar o risco genético, mas se pode constatar a sua importância para a prevenção da doença.

 

O Estudo

Usando uma pontuação poligênica de sequência de DNA, os autores do estudo quantificaram o risco genético para a doença arterial coronariana em três coortes prospectivas ? 7.814 participantes do Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC); 21.222 do Estudo de Saúde Genoma da Mulher (WGHS); 22.389 do Malmö Diet and Cancer Study (MDCS) ? e em 4.260 participantes no transversal Estudo BioImage, para quem os dados do genótipo e covariáveis estavam disponíveis. Foi também determinada a adesão a um estilo de vida saudável entre os participantes, utilizando-se um sistema de pontuação que consiste em quatro fatores: não fumar; não ser portador de obesidade; fazer atividade física regular; ter uma dieta saudável.

O risco relativo de eventos coronários incidente foi 91% maior entre os participantes com alto risco genético (quintil superior da pontuação poligênica) do que entre aqueles com baixo risco genético (quintil mais baixo de pontuações poligênicas) ? relação de risco, 1,91; IC 95%, 1,75?2,09. Um estilo de vida favorável (caracterizado por, pelo menos, três dos quatro fatores de estilo de vida saudáveis) foi associado a um risco substancialmente menor de eventos coronarianos do que um estilo de vida desfavorável (definido como nenhum ou apenas um fator estilo de vida saudável), independentemente da categoria de risco genético.

Entre os participantes com alto risco genético, um estilo de vida favorável foi associado com um risco relativo 46% menor de eventos coronarianos do que um estilo de vida desfavorável (hazard ratio, 0,54; IC 95%, 0,47?0,63). Esse achado correspondeu a uma redução na incidência padronizada de 10 anos de eventos coronários de 10,7% para um estilo de vida desfavorável a 5,1% para um estilo de vida favorável do ARIC; de 4,6 a 2,0% em WGHS; de 8,2 a 5,3% em MDCS. No BioImage, um estilo de vida favorável esteve associado, de forma significativa, a menor calcificação da artéria coronária dentro de cada categoria de risco genético.

 

 

Aplicação Prática

Em quatro estudos envolvendo 55.685 participantes, fatores genéticos e estilo de vida foram associados de forma independente com a susceptibilidade à doença da artéria coronária. Entre os participantes de alto risco genético, um estilo de vida favorável esteve associado com um risco relativo 50% mais baixo de doença arterial coronária do que um estilo de vida desfavorável. Isso mostra a importância de um estilo de vida saudável na proteção de eventos coronarianos, mesmo na vigência de carga genética ruim.

 

 

Bibliografia

Khera AV et al. Genetic Risk, Adherence to a Healthy Lifestyle, and Coronary Disease. N Engl J Med 2016; 375:2349-2358.

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