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Radioterapia e Temozolomida em Idosos com Glioblastoma

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 16/08/2017

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Contexto Clínico

 

Os tumores primários do sistema nervoso central são sempre um desafio do ponto de vista terapêutico. Especificamente em idosos, o glioblastoma está associado a um mau prognóstico. A sobrevida tem aumentado entre os pacientes com 70 anos de idade ou menos quando a quimioterapia com temozolomida é adicionada à radioterapia padrão (60Gy durante um período de 6 semanas). Em idosos, são mais utilizados cursos mais curtos de radioterapia, embora o benefício de adicionar temozolomida a um curso mais curto de radioterapia seja desconhecido.

 

O Estudo

 

Este é um ensaio clínico realizado com pacientes com 65 anos de idade ou mais com glioblastoma recém-diagnosticado. Os pacientes foram aleatoriamente designados para receber radioterapia isolada (40Gy em 15 frações) ou radioterapia com terapia concomitante e adjuvante à base de temozolomida.

Um total de 562 pacientes foram randomizados, sendo 281 para cada grupo. A mediana da idade foi de 73 anos (variação, 65 a 90). A mediana da sobrevida global foi maior com radioterapia mais temozolomida do que com radioterapia isolada (9,3 meses versus 7,6 meses; razão de risco para óbito [HR], 0,67; IC 95%, 0,56 a 0,80; P <0,001), assim como foi a mediana de sobrevida livre de progressão (5,3 meses versus 3,9 meses; HR, 0,50; IC 95%, 0,41 a 0,60; P <0,001).

Entre 165 pacientes com MGMT metilado (methylated O6-methylguanine-DNA methyltransferase), a sobrevida global mediana foi de 13,5 meses com radioterapia além de temozolomida e 7,7 meses com radioterapia isolada (HR, 0,53; IC 95%, 0,38 a 0,73; P <0,001). Entre os 189 pacientes com MGMT não metilado, a mediana da sobrevida global foi de 10,0 meses com radioterapia mais temozolomida e 7,9 meses com radioterapia isolada (HR, 0,75; IC 95%, 0,56 a 1,01; P = 0,08). A qualidade de vida foi semelhante nos dois grupos experimentais.

 

Aplicação Prática

 

Com base nesse estudo, conclui-se que, em doentes idosos com glioblastoma, a adição de temozolomida à radioterapia de curta duração resultou em maior sobrevivência do que a radioterapia de curta duração isoladamente. Esse é mais um estudo em que essa sobrevida adicional oferecida, nas diversas comparações, foi cerca de 2 meses, exceto no grupo MGMT metilado, onde a sobrevida foi o dobro com o uso da temozolomida junto da radioterapia. Pode ser útil um estudo específico nessa subpopulação para validar esse dado. De qualquer forma, tendo em vista o resultado do presente estudo, é mais racional a aplicação do custo desse medicamento para o grupo MGMT metilado, no qual houve mais benefício.

 

Bibliografia

 

Perry JR et al. Short-Course Radiation plus Temozolomide in Elderly Patients with Glioblastoma. N Engl J Med 2017; 376:1027-1037.

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