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Radiação com ou Sem Terapia Hormonal em Câncer de Próstata Recorrente

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 31/08/2017

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Contexto Clínico

 

A radioterapia de resgate é, com frequência, necessária em homens que foram submetidos à prostatectomia radical e que têm evidência de recorrência de câncer da próstata sinalizada por um nível persistente ou recorrentemente elevado de antígeno prostático específico (PSA). Ainda não se sabe se a terapia antiandrogênica com radioterapia poderá melhorar ainda mais o controle do câncer e prolongar a sobrevida global.

 

O Estudo

 

Em um ensaio clínico duplo-cego, controlado com placebo, realizado de 1998 a 2003, foram atribuídos 760 doentes elegíveis que tinham sido submetidos à prostatectomia com linfadenectomia e que tinham doença, avaliada em testes patológicos, com um estádio tumoral de T2 (confinado à próstata, mas com uma margem cirúrgica positiva) ou T3 (com extensão histológica para além da cápsula prostática), nenhum envolvimento nodal e um nível de PSA detectável de 0,2 a 4,0ng/mL para serem submetidos à radioterapia e receberem terapia antiandrogênica (24 meses de bicalutamida com dose diária de 150mg) ou comprimidos de placebo diários durante e após a radioterapia. O desfecho primário avaliado foi a taxa de sobrevivência global.

A mediana de seguimento entre os pacientes sobreviventes foi de 13 anos. A taxa de sobrevida global com 12 anos foi de 76,3% no grupo bicalutamida, comparada com 71,3% no grupo placebo (hazard ratio for death, 0,77; IC 95%, 0,59 a 0,99; P = 0,04). A incidência de 12 anos de morte por câncer de próstata foi de 5,8% no grupo bicalutamida, contra 13,4% no grupo placebo (P <0,001).

A incidência cumulativa de câncer de próstata metastático aos 12 anos foi de 14,5% no grupo bicalutamida, em comparação com 23,0% no grupo placebo (P = 0,005). A incidência de eventos adversos tardios associados à radioterapia foi semelhante nos dois grupos. A ginecomastia foi registrada em 69,7% dos pacientes do grupo bicalutamida, em comparação com 10,9% dos do grupo placebo (P <0,001).

 

Aplicação Prática

 

A conclusão dos autores do estudo é que a adição de 24 meses de terapia antiandrogênica com bicalutamida diária com a radioterapia resultou em taxas mais elevadas de sobrevivência global a longo prazo e em menor incidência de câncer de próstata metastático e morte por câncer de próstata do que a aplicação de radioterapia isolada.

 

Bibliografia

 

Shipley WU et al. Radiation with or without Antiandrogen Therapy in Recurrent Prostate Cancer. N Engl J Med 2017; 376:417-428

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