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Desfecho Após 5 Anos de Cirurgia Bariátrica ou Terapia Clínica Intensiva para Diabetes

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 08/09/2017

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Contexto Clínico

 

A cirurgia bariátrica vem sendo discutida como uma alternativa terapêutica para o diabetes melito. Os resultados a longo prazo de ensaios randomizados e controlados que comparam a terapia médica com a cirúrgica em pacientes com diabetes melito tipo 2 ainda são limitados, e esses dados são necessários para saber qual a melhor opção terapêutica.

 

O Estudo

 

Este é um estudo no qual foram avaliados os desfechos 5 anos após 150 pacientes que tinham diabetes tipo 2 e um índice de massa corporal (IMC) de 27 a 43 terem sido distribuídos de forma aleatória para receber tratamento médico intensivo isolado ou terapia médica intensiva mais cirurgia bariátrica através de bypass gástrico com Y de Roux ou gastrectomia vertical. O resultado primário foi um nível de hemoglobina glicada de 6,0% ou menos, com ou sem o uso de medicamentos para a diabetes melito.

Dos 150 pacientes submetidos à randomização, um morreu durante o período de seguimento de 5 anos; 134 dos 149 restantes (90%) completaram 5 anos de seguimento. No início, a média (± DP) de idade dos 134 pacientes foi de 49 ± 8 anos, e 66% eram mulheres, sendo o nível médio de hemoglobina glicada de 9,2 ± 1,5% e o IMC médio de 37 ± 3,5. Após 5 anos, o critério para o desfecho primário foi atingido por 2 de 38 pacientes (5%) que receberam tratamento médico isolado, em comparação com 14 de 49 (29%) submetidos a bypass gástrico (p = 0,01 não ajustado, ajustado P = 0,03, P = 0,08 na análise por intenção de tratamento) e 11 de 47 (23%) submetidos à gastrectomia vertical (P = 0,03 não ajustado, P ajustado = 0,07, P = 0,17 na intenção de tratar).

Os pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos tiveram uma redução percentual média maior do que os que receberam terapia médica isolada (2,1% versus 0,3%; P = 0,003). Após 5 anos, as alterações de linha de base observadas nos grupos de bypass gástrico e de gastrectomia vertical foram superiores às observadas no grupo de terapia com relação ao peso corporal (-23%, -19% e -5% [-40%, -29% e -8%]), nível de colesterol LDL (32%, 30% e 7%), níveis de triglicerídeos, uso de insulina (-35%, -34% e -13%) e medidas de qualidade de vida (aumentos de pontuação em saúde geral de 17, 16 e 0,3; de 0 a 100, com escores mais altos indicando melhor saúde) - P <0,05 para todas as comparações. Nenhuma complicação cirúrgica tardia foi relatada, com exceção de uma reoperação.

 

Aplicação Prática

 

Os dados de desfecho em 5 anos mostraram que, entre os pacientes com diabetes melito tipo 2 e IMC de 27 a 43, a cirurgia bariátrica mais a terapia médica intensiva foi mais eficaz do que a terapia médica intensiva isolada na diminuição ou até mesmo no controle da hiperglicemia. De fato, quando bem indicada, a cirurgia bariátrica pode ser uma opção bastante válida, mesmo em médio prazo, para controlar o diabetes melito.

 

Bibliografia

 

Schauer PR et al. Bariatric Surgery versus Intensive Medical Therapy for Diabetes — 5-Year Outcomes. N Engl J Med 2017; 376:641-651.

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