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Tratamento com Hormônio Tireoidiano em Gestantes com Hipotireoidismo Subclínico

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 11/12/2017

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Contexto Clínico

 

As alterações na fisiologia da tireoide durante a gravidez resultam no intervalo normal do hormônio estimulante da tireoide (TSH) menor que entre mulheres adultas não grávidas. As diretrizes internacionais defendem a utilização de intervalos de referência com base na população. No entanto, se eles não estiverem disponíveis, o limiar superior fixo recomendado para a concentração de TSH é de 2,5mIU/L durante o primeiro trimestre e de 3,0mUI/L durante o segundo e o terceiro trimestres.

De acordo com esses critérios diagnósticos, o hipotireoidismo subclínico, definido como uma concentração elevada de TSH, com concentrações de hormônio da tireoide normais simultaneamente, deve afetar até 15% das gestações nos EUA e 14% na Europa. Isso representa um aumento de cinco vezes na prevalência em comparação com a de 2?3% do hipotireoidismo subclínico antes que esses critérios fossem estabelecidos, aumentando a possibilidade de excesso de diagnósticos de hipotireoidismo subclínico. Foram utilizadas informações de um grande conjunto nacional de dados dos EUA para determinar a prevalência, a eficácia e a segurança do tratamento com hormônio tireoidiano entre mulheres grávidas com hipotireoidismo subclínico.

 

O Estudo

 

Este é um estudo de coorte retrospectivo que utilizou um grande banco de dados administrativo US entre 1/01/10 e 31/12/14. As participantes foram 5.405 mulheres grávidas com hipotireoidismo subclínico, definidas por uma concentração não tratada de TSH de 2,5?10mIU/L. O principal desfecho avaliado, com relação à exposição à terapia hormonal, foi a perda da gravidez, entre outros resultados maternos e fetais pré-especificados.

Entre 5.405 mulheres grávidas com hipotireoidismo subclínico, 843 com uma concentração de TSH pré-tratamento médio de 4,8 (DP 1,7) mIU/L foram tratadas com hormônio da tireoide e 4.562 com uma concentração de TSH basal médio de 3,3 (SD 0,9) mIU/L não foram tratadas (P <0,01). A perda de gravidez foi bem menor entre as mulheres tratadas (n = 89; 10,6%) do que entre as não tratadas (n = 614; 13,5%); P <0,01. Em comparação com o grupo não tratado, as mulheres tratadas tiveram menor probabilidade de perda de gravidez (OR 0,62; IC 95%, 0,48?0,82), porém maior probabilidade de parto prematuro (OR 1,60, 1,14?2,24), diabetes melito gestacional (OR 1,37, 1,05?1,79) e pré-eclâmpsia (OR 1,61, 1,10?2,37).

Outros resultados adversos relacionados à gravidez foram semelhantes entre os dois grupos. As probabilidades ajustadas de perda de gravidez seriam menores nas mulheres tratadas do que nas não tratadas se a concentração de TSH pré-tratamento fosse de 4,1?10mIU/L (OR 0,45; 0,30?0,65), mas não se fosse de 2,5?4,0mIU/L (OR 0,91; 0,65?1,23); P = 0,01.

 

Aplicação Prática

 

Apenas 16% das mulheres grávidas com hipotireoidismo subclínico incluídas nesta grande coorte nacional dos EUA receberam tratamento com hormônio tireoidiano. As diretrizes da prática clínica sobre o tratamento do hipotireoidismo subclínico durante a gravidez foram baseadas em evidências insuficientes, e os resultados mostram o efeito do uso da reposição hormonal da tireoide na perda da gravidez e outros eventos adversos relacionados à gravidez.

Descobriu-se que o uso de hormônio tireoidiano foi associado com menor risco de perda de gravidez, mas também foi associado com maior risco de parto prematuro, diabetes melito gestacional e pré-eclâmpsia. O benefício do uso de hormônio tireoidiano na perda de gravidez foi observado apenas entre mulheres com concentrações de TSH entre 4,1 e 10,0mIU/L, e não com concentrações de 2,5?4,0mUI/L, levantando questões sobre o limite recomendado pela diretriz atual de 2,5mUI/L para tratar o hipotireoidismo subclínico quando os intervalos de referência da população não estão disponíveis.

 

Bibliografia

 

Maraka S et al. Thyroid hormone treatment among pregnant women with subclinical hypothyroidism: US national assessment. BMJ 2017;356:i6865

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