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Estratégias de Angioplastia em Infarto com Choque Cardiogênico

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 13/03/2018

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Contexto Clínico

 

Em pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM) com choque cardiogênico, a revascularização precoce da artéria culpada por meio de intervenção coronária percutânea (ICP) melhora os desfechos clínicos. No entanto, a maioria dos pacientes com choque cardiogênico tem doença em múltiplas coronárias, e, se a ICP deve ser realizada imediatamente para estenoses em artérias não culpadas, é um assunto bastante controverso.

 

O Estudo

 

Este é um ensaio clínico multicêntrico, no qual os pesquisadores randomizaram 706 pacientes que apresentavam doença coronária em múltiplas artérias, IAM e choque cardiogênico para uma das seguintes estratégias iniciais de revascularização: apenas angioplastia da única lesão culpada, com a opção de revascularização posterior de lesões não culpadas ou angioplastia imediata de múltiplas artérias. O desfecho primário avaliado foi um composto de morte ou insuficiência renal grave que levou à terapia de reposição renal dentro de 30 dias após a randomização. Os pontos finais de segurança incluíram sangramento e acidente vascular cerebral.

Com 30 dias, o desfecho primário composto de morte ou a terapia de reposição renal ocorreu em 158 dos 344 pacientes (45,9%) no grupo de angioplastia exclusiva da lesão culpada e em 189 dos 341 pacientes (55,4%) no grupo angioplastia de múltiplas artérias (risco relativo, 0,83; IC 95%, 0,71 a 0,96; P = 0,01). O risco relativo de morte no grupo de angioplastia exclusiva da lesão culpada em comparação com o grupo de múltiplas artérias foi de 0,84 (IC 95%, 0,72 a 0,98; P = 0,03) e o risco relativo de terapia de reposição renal foi de 0,71 (IC 95%, 0,49 a 1,03; P = 0,07). O tempo para a estabilização hemodinâmica, o risco de tratamento com catecolaminas e a duração dessa terapia, os níveis de troponina T e creatinoquinase e as taxas de sangramento e AVC não diferiram significativamente entre os dois grupos.

 

Aplicação Prática

 

Este interessante ensaio clínico multicêntrico demonstra que, entre pacientes com doença arterial coronariana em múltiplas coronárias e IAM com choque cardiogênico, o risco em 30 dias de morte ou insuficiência renal grave foi menor entre aqueles que inicialmente foram submetidos à angioplastia da lesão culpada apenas do que entre aqueles que se submeteram à angioplastia de múltiplas artérias. De acordo com este estudo, não deve ser realizado tratamento excessivo nesse perfil de pacientes, devendo ater-se apenas à artéria que gerou o evento isquêmico agudo.

 

 

 

 

Bibliografia

 

Thiele H et al. PCI Strategies in Patients with Acute Myocardial Infarction and Cardiogenic Shock. N Engl J Med 2017; 377:2419-2432.

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