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Rastreamento Bioquímico Pré-Natal e Risco Cardiovascular Materno

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 25/09/2018

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Contexto Clínico

 

Vários fatores de risco para doença vascular placentária, especialmente para pré-eclâmpsia, são os mesmos que para doença cardiovascular. A ocorrência de síndrome placentária materna na gravidez parece ter relação com a saúde cardiovascular da mulher nos anos seguintes, incluindo o início prematuro antes dos 65 anos de doença arterial coronariana (DAC), insuficiência cardíaca (IC), arritmias e morte após revascularização coronariana. Diferentes diretrizes para a prevenção de doenças cardiovasculares recomendam o rastreamento de fatores de risco em mulheres com síndrome placentária materna em seu histórico pessoal.

 

O Estudo

 

Este é um estudo de coorte feito no Canadá feito com mulheres entre 12 e 55 anos, sem doença cardiovascular preexistente, submetidas a triagem pré-natal entre 1993 e 2011 e que foram comparadas com gestantes controles. As exposições medidas foram baixos valores (percentil menor ou igual a 5) de gonadotrofina coriônica, estriol não conjugado e proteína A plasmática, e altos valores (percentil maior ou igual a 95) de alfafetoproteína e inibina A dimérica.

Os desfechos medidos foram um composto de internação hospitalar ou revascularização para DAC, cerebrovascular ou arterial periférica ou admissão hospitalar por IC ou disritmia, pelo menos, 365 dias após a gravidez. Entre 855.536 gestações, e após uma mediana de 11,4 (intervalo interquartil 6,8?17,5) anos de acompanhamento, 6.209 mulheres desenvolveram desfechos da doença cardiovascular.

Resultados anormais para cada um dos cinco analitos pré-natais de triagem bioquímica, especialmente a inibina-A, foram associados com um maior risco de doença cardiovascular. Mulheres com uma inibina dimérica anormalmente alta (=95o percentil) tiveram a maior taxa de doença cardiovascular (30 eventos ou 8,3 por 10.000 pessoas por ano versus 251 eventos ou 3,8 por 10.000 pessoas por ano para aqueles com percentil inferior a 95; relação 2,0; IC 95%, 1,4 a 3,0). Em comparação com mulheres sem qualquer medida bioquímica anormal, a taxa de risco para o desfecho composto de doenças cardiovasculares foi 1,2 a 1,3 vezes maior com um analito anormal e 1,5 a 2 vezes maior com 2 ou mais analitos.

 

Aplicação Prática

 

Este interessante estudo de coorte sugere que mulheres com resultados de rastreamento pré-natal anormais tiveram um risco moderadamente maior de um desfecho composto de doença cardiovascular prematura, bem como o desfecho secundário de eventos cardiovasculares adversos maiores. Existe uma enorme quantidade de dados que podem ser aplicados para estimar melhor o risco de doença cardiovascular a longo prazo em mulheres.

A triagem pré-natal ainda é muito focada em questões do feto, e esse estudo mostra que pode haver benefício para as mães também. Ainda é cedo para afirmar que esses estudos devem modificar a prática, pois há dados clínicos preditores como as próprias síndromes clínicas placentárias que se relacionam com o futuro cardiovascular das mães. Isso é uma discussão que deve ser aprofundada de forma a abordar adequadamente a saúde cardiovascular feminina.

 

Bibliografia

 

Ray JG et al. Prenatal biochemical screening and long term risk of maternal cardiovascular disease: population based cohort study. BMJ 2018;362:k2739.

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