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Uso de Adoçantes e Desfechos em Saúde em Indivíduos Saudáveis

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 25/02/2019

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Contexto Clínico

 

Preocupações crescentes sobre saúde e qualidade de vida têm incentivado as pessoas a se adaptarem a estilos de vida saudáveis e a evitarem o consumo de alimentos ricos em açúcar para prevenir a obesidade e outras doenças não transmissíveis. Com isso, produtos alimentícios contendo adoçantes sem açúcar (NSSs) em vez de açúcares simples (monossacarídeos e dissacarídeos), tornaram-se cada vez mais populares. A substituição de açúcares por NSSs promete benefícios para a saúde, principalmente pela redução de açúcares na ingestão diária de calorias e, assim, do risco de ganho de peso.

No entanto, as evidências dos efeitos à saúde devido ao uso de NSSs são conflitantes. Enquanto alguns estudos relatam uma associação entre o uso de NSSs e redução do risco de diabetes melito tipo 2, sobrepeso e obesidade (sugerindo um benefício para a saúde geral e o controle do diabetes melito), outros estudos sugerem que o uso de NSSs poderia aumentar o risco de sobrepeso, diabetes melito e câncer. Mais investigações são necessárias para esclarecer os benefícios e os malefícios do consumo de NSSs.

 

O Estudo

 

Foi realizada uma revisão sistemática seguindo a metodologia padrão de revisão Cochrane. Considerando os critérios de elegibilidade para a seleção de estudos, foram incluídos estudos que incluíram adultos geralmente saudáveis ou crianças com ou sem sobrepeso ou obesidade. Desenhos de estudos incluídos permitiram uma comparação direta de não ingestão ou menor ingestão de NSSs com maior ingestão de NSSs. Os NSSs tinham que ser claramente nomeados; a dose tinha que estar dentro da ingestão diária aceitável; e a duração da intervenção tinha que ser, pelo menos, 7 dias.

Os principais desfechos avaliados foram: peso corporal ou índice de massa corporal, controle glicêmico, saúde bucal, comportamento alimentar, preferência por sabor adocicado, câncer, doença cardiovascular, doença renal, humor, comportamento, neurocognição e efeitos adversos. Dos 56 estudos individuais que forneceram dados para esta revisão, 35 foram estudos observacionais. Em adultos, evidências de muito baixa e baixa certeza indicaram um pequeno efeito benéfico de NSSs no índice de massa corporal (diferença média -0,6; IC 95%, -1,19 a -0,01; dois estudos, n = 174 ) e glicemia em jejum (-0,16mmol/L; IC 95%, -0,26 a -0,06; dois estudos, n = 52).

Doses mais baixas de NSSs foram associadas com menor ganho de peso (-0,09kg; IC 95%, -0,13 a -0,05; um estudo, n = 17.934) em comparação com doses mais elevadas de NSSs (muito baixa certeza de evidência). Para todos os outros resultados, não foram detectadas diferenças entre o uso e o não uso de NSSs, ou entre diferentes doses de NSSs. Nenhuma evidência de qualquer efeito de NSSs foi observada em adultos com sobrepeso ou obesos ou crianças ativamente tentando perder peso (muito baixa a moderada certeza).

Em crianças, um menor aumento no escore z do índice de massa corporal foi observado com a ingestão de NSSs em comparação com a ingestão de açúcar (-0,15; IC 95%, -0,17 a -0,12; dois estudos, n = 528, certeza moderada de evidência), mas nenhuma diferença significativa foi observada no peso corporal (-0,60kg; IC 95%, -1,33 a 0,14; dois estudos, n = 467, baixa certeza de evidência), ou entre diferentes doses de NSSs (muito baixa a moderada certeza).

 

Aplicação Prática

 

Nesta revisão sistemática abrangente, uma ampla gama de resultados de saúde foi investigada para determinar uma possível associação com o uso de adoçante sem açúcar em uma população saudável. A maioria dos desfechos avaliados parece não ter diferenças entre os grupos expostos e não expostos aos NSSs. Dos poucos estudos identificados para cada resultado, a maioria tinha poucos participantes, era de curta duração e sua qualidade metodológica era questionável; portanto, a confiança nos resultados relatados é limitada.

Em resumo, não houve evidência convincente para indicar benefícios importantes para a saúde do uso de adoçante sem açúcar em uma série de resultados de saúde. Além disso, devem ser considerados os potenciais malefícios do consumo de adoçantes sem açúcar, o que deixa margem para interpretar que não deve haver, pelo menos diante das evidências disponíveis, recomendação de uso de adoçantes sem açúcar em indivíduos saudáveis.

 

Bibliografia

 

Toews I et al. Association between intake of non-sugar sweeteners and health outcomes: systematic review and meta-analyses of randomised and non-randomised controlled trials and observational studies. BMJ 2019;364:k4718.

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