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Um Estudo Randomizado de Cigarros Eletrônicos Versus Terapia de Substituição de Nicotina

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 28/06/2019

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Contexto Clínico

 

Cigarros eletrônicos passaram a ser usados em tentativas de parar de fumar, mas as evidências são limitadas em relação à sua eficácia em comparação com os produtos de nicotina aprovados como tratamentos de cessação do tabagismo.

 

O Estudo

 

Foram selecionados aleatoriamente adultos que frequentam serviços de cessação de tabagismo do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido para produtos de reposição de nicotina de sua escolha, incluindo combinações de produtos, fornecidos por até 3 meses, ou um pacote inicial de cigarros eletrônicos (um e-cigarro recarregável de segunda geração) com nicotina líquida [18mg por mililitro]), com a recomendação de comprar mais líquidos do sabor de sua escolha. O tratamento incluiu apoio comportamental semanal por, pelo menos, 4 semanas.

O desfecho primário foi a abstinência sustentada por 1 ano, validada bioquimicamente na visita final. Os participantes que foram perdidos no acompanhamento ou que não forneceram validação bioquímica foram considerados não abstinentes. Os desfechos secundários incluíram o uso do tratamento relatado pelos participantes e os sintomas respiratórios.

Um total de 886 participantes foi submetido à randomização. A taxa de abstinência de 1 ano foi de 18% no grupo cigarro eletrônico, em comparação com 9,9% no grupo de substituição de nicotina (risco relativo, 1,83; intervalo de confiança [IC] 95%, 1,30 a 2,58; P <0,001). Entre os participantes com 1 ano de abstinência, aqueles no grupo de cigarro eletrônico tiveram mais probabilidade de adesão ao método elencado do que aqueles no grupo de substituição de nicotina com 52 semanas de avaliação (80% [63 de 79 participantes] versus 9% [4 de 44 participantes]).

No geral, a irritação da garganta ou da boca foi relatada com mais frequência no grupo de cigarro eletrônico (65,3% contra 51,2% no grupo de reposição de nicotina) e náusea com mais frequência no grupo de reposição de nicotina (37,9% contra 31,3% no grupo de e-cigarro). O grupo de e-cigarro relatou maiores declínios na incidência de tosse e produção de catarro desde o início até 52 semanas do que o grupo de reposição de nicotina (risco relativo para tosse, 0,8; IC 95%, 0,6 a 0,9; risco relativo para fleuma, 0,7, IC 95%, 0,6 a 0,9). Não houve diferenças significativas entre os grupos quanto à incidência de sibilos ou falta de ar.

 

Aplicação Prática

 

Este interessante estudo abre portas para mais uma alternativa na cessação do tabagismo, que é o uso orientado de cigarros eletrônicos. Esses “e-cigarros” foram mais eficazes para a cessação do tabagismo do que a terapia de reposição de nicotina, quando ambos os produtos foram acompanhados por suporte comportamental.

 

Bibliografia

 

1.             Hajek P et al. A Randomized Trial of E-Cigarettes versus Nicotine-Replacement Therapy. N Engl J Med 2019; 380:629-637

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