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Vitamina D na Prevenção de Diabetes Tipo 2

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 20/01/2020

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Contexto Clínico

 

Estudos observacionais demonstram associação entreníveis baixos de 25-hidroxivitamina D no sangue e o risco de diabetes tipo 2.No entanto, é desconhecido se a suplementação de vitamina D diminui o risco dediabetes.

 

O Estudo

 

Apresentamos um ensaio clínico randomizado no qual adultosque atenderam a pelo menos dois dos três critérios glicêmicos para pré-diabetes(nível de glicose no plasma em jejum, 100 a 125 mg por decilitro; nível deglicose no plasma 2 horas após carga oral de glicose de 75 g, 140 a 199 mg pordecilitro; e nível de hemoglobina glicada, 5,7 a 6,4%) e nenhum critério dediagnóstico para o diabetes foram randomizados para receber 4.000 UI por dia devitamina D3 ou placebo, independentemente do nível sérico basal de25-hidroxivitamina D. O desfecho primário nessa análise de tempo até o eventofoi o diabetes de início recente, e o design do estudo foi orientado aeventos, com um número alvo de eventos de diabetes de 508.

Um total de 2.423 participantes foram submetidos àrandomização (1.211 no grupo da vitamina D e 1.212 no grupo do placebo). No mês24, o nível sérico médio de 25-hidroxivitamina D no grupo de vitamina D era de54,3 ng por mililitro (de 27,7 ng por mililitro na linha de base), emcomparação com 28,8 ng por mililitro no grupo placebo (de 28,2 ng por mililitrona linha de base). Após acompanhamento médio de 2,5 anos, o desfecho primáriodo diabetes ocorreu em 293 participantes no grupo da vitamina D e em 323 nogrupo do placebo (9,39 e 10,66 eventos por 100 pessoas-ano, respectivamente). Ataxa de risco para a vitamina D em comparação com o placebo foi de 0,88(intervalo de confiança de 95%, 0,75 a 1,04; P = 0,12). A incidência de eventosadversos não diferiu significativamente entre os dois grupos.

 

AplicaçãoPrática

 

Conclui-se, por esse ensaio clínico randomizado, que,entre as pessoas com alto risco de diabetes tipo 2 não selecionadas porinsuficiência de vitamina D, a suplementação de vitamina D3 na dose de 4.000 UIpor dia não resultou em risco significativamente menor de diabetes que oplacebo.

Mas qual a grande mensagem desse estudo feito comvitamina D? A de que nem sempre aquilo que se mostra em estudos observacionaistem de fato nexo de causalidade. Estudos observacionais no máximo podemsuscitar hipóteses, mas nunca gerar conclusões definitivas sobre causalidade. Esseestudo mostra que uma hipótese levantada em estudo observacional não seconverte em informação relevante quando submetida ao desenho de um ensaioclínico randomizado. Devemos ser criteriosos quando interpretamos as evidênciasdisponíveis.

 

 

Bibliografia

 

1.            Pittas AG et al. Vitamin D Supplementation and Prevention of Type 2Diabetes. N Eng J Med 2019; 381: 520:530.

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